Se você usa o AllEars.Vet para emitir receitas com assinatura eletrônica, provavelmente já esbarrou em uma sopa de siglas: SNCR, RDC 1.000/2025, RDC 1.028/2026, receita azul, amarela, branca, nº MAPA, gov.br, ICP-Brasil. Este guia explica cada termo em uma frase, mostra o que muda (e o que não muda) para o médico-veterinário e termina com um checklist que você marca enquanto configura o app.
Atualizado em 11 de setembro de 2026. As normas estão em transição: confirme sempre o texto vigente na ANVISA, no MAPA e no seu CRMV.
Os termos, um por um
Assinatura eletrônica avançada (gov.br) — a assinatura gratuita do portal gov.br. Identifica quem assinou, mas não usa certificado ICP-Brasil. A Resolução CFMV 1.465/2022 aceita esse nível apenas para receitas de medicamentos sem controle especial. O AllEars.Vet não assina com gov.br: a conta gov.br entra no fluxo só para autenticar o prescritor no SNCR (veja abaixo).
Assinatura eletrônica qualificada (ICP-Brasil) — assinatura feita com certificado digital emitido dentro da ICP-Brasil (MP 2.200-2/2001). Tem a mesma validade jurídica da assinatura de próprio punho e é a única aceita para receitas de controle especial, notificações de receita e magistrais controladas. É o método do AllEars.Vet.
Certificado A1 / e-CPF — o arquivo .pfx ou .p12 que representa você (pessoa física) na ICP-Brasil. É vendido por Autoridades Certificadoras credenciadas pelo ITI e vale, em geral, 1 ano. É o único formato que pode ser enviado ao app (A3 em token e certificado em nuvem ainda não são aceitos).
Portaria SVS/MS 344/1998 — a norma que classifica as substâncias controladas em listas (A, B, C…) e define qual receituário cada lista exige. Vale para uso humano e veterinário.
Receita de Controle Especial (branca, 2 vias) — o receituário para substâncias das listas C1 e C5 (gabapentina, fluoxetina, trazodona…). A 1ª via fica retida na farmácia, a 2ª com o responsável; validade de 30 dias. No app é o tipo Controle especial.
Notificação de Receita B (azul) — o talão numerado para psicotrópicos das listas B1 e B2 (fenobarbital, diazepam, midazolam…). Existe modelo específico para uso veterinário; o talão é fornecido pela Vigilância Sanitária. Com a RDC 1.000/2025, passa a poder ser eletrônica via SNCR.
Notificação de Receita A (amarela) — o talão numerado para entorpecentes das listas A1 e A2 (morfina, metadona, fentanila…). Também fornecido pela Vigilância Sanitária; o médico-veterinário pode usá-lo para uso veterinário.
Receita magistral controlada (3 vias) — receituário para fórmulas manipuladas com substância controlada, regulado pelo MAPA (Portaria MAPA 837/2025, vigente desde 2 de janeiro de 2026). Exige numeração sequencial por veterinário no formato nº MAPA / sequencial / ano. No app é o tipo Magistral (manipulada).
Nº MAPA (SIPEAGRO) — o número de cadastro do médico-veterinário no Ministério da Agricultura, obtido no sistema SIPEAGRO. Entra na numeração da receita magistral controlada. Cadastre em Configurações → Perfil.
RDC ANVISA 1.000/2025 — vigente desde 13 de fevereiro de 2026, é a resolução que permite que notificações de receita, receitas de controle especial e receitas com retenção sejam eletrônicas, desde que assinadas com certificado ICP-Brasil e numeradas pelo SNCR. Também trouxe novos modelos impressos, obrigatórios desde 18 de maio de 2026.
RDC ANVISA 1.028/2026 — publicada em 1º de junho de 2026, prorrogou só o prazo para a ANVISA disponibilizar as funções eletrônicas do SNCR: de 1º de junho para 30 de setembro de 2026. Nada mais da RDC 1.000 mudou.
SNCR (Sistema Nacional de Controle de Receituários) — o sistema da ANVISA que gera a numeração única nacional dos receituários controlados. Já é usado pelas Vigilâncias Sanitárias desde 2024. Com as funções eletrônicas liberadas, as plataformas de prescrição integradas passam a pedir numerações em nome do prescritor (autenticado com gov.br) e as farmácias registram nele a dispensação.
Dispensação (baixa) — o registro de que a farmácia vendeu o medicamento daquela receita. No eletrônico, a baixa impede reutilizar a receita. O AllEars.Vet já oferece isso na página pública de verificação da receita assinada.
QR de verificação — o código impresso na receita assinada que abre uma página pública mostrando quem assinou, quando, e permitindo baixar o PDF original. Não depende do SNCR.
O que muda para você — e o que não muda
- Nada do papel deixou de valer. Talões físicos (azul, amarela, controle especial impressa) continuam válidos. O que mudou foi o modelo impresso, obrigatório desde 18/05/2026.
- O eletrônico para controlados exige SNCR. Uma receita de controle especial ou notificação nato-digital só vale se numerada pelo SNCR e assinada com ICP-Brasil. Por isso o app mantém a numeração interna até a integração ser liberada para a sua conta.
- 30/09/2026 é o prazo da ANVISA, não o seu. É a data até a qual a agência deve disponibilizar as funções eletrônicas do SNCR. Não existe obrigação de migrar para o eletrônico nessa data.
- A receita simples nunca dependeu disso. Ela pode ser eletrônica hoje, com assinatura qualificada (ICP-Brasil) ou, no app, também com a assinatura manuscrita digitalizada.
Qual assinatura vale para qual receita
| Receita | Assinatura exigida pela norma | No AllEars.Vet |
|---|---|---|
| Simples | Avançada (gov.br) ou qualificada (ICP-Brasil) | ICP-Brasil A1 ou manuscrita digitalizada |
| Controle especial (branca, 2 vias) | Qualificada ICP-Brasil | ICP-Brasil A1 (plano Pro) |
| Magistral controlada (3 vias) | Qualificada ICP-Brasil | ICP-Brasil A1 (plano Pro), com nº MAPA |
| Notificação A (amarela) e B (azul) | Qualificada ICP-Brasil + numeração SNCR | App já integrado ao SNCR; emissão eletrônica assim que a ANVISA liberar. Até lá, talão da Vigilância |
O que o app já faz hoje — e o que ainda depende da ANVISA
Já funciona: receita simples, magistral controlada (3 vias) e controle especial (2 vias) com assinatura ICP-Brasil A1; numeração sequencial automática; QR e código de verificação; envio por WhatsApp e e-mail; dispensação pela farmácia; anulação e nova versão.
Em liberação gradual: a numeração oficial do SNCR para receitas de controle especial, conta a conta, conforme a ANVISA libera o ambiente de produção. Quando chegar à sua conta, a seção SNCR aparece em Configurações → Assinaturas — veja o artigo Assinaturas.
Aguardando a ANVISA: notificações de receita A (amarela) e B (azul). O app já está integrado ao SNCR e vai emiti-las eletronicamente assim que a ANVISA liberar o sistema para as plataformas. Até lá, o talão físico da Vigilância Sanitária continua valendo.
Checklist: do zero à primeira receita assinada
Marque cada etapa conforme concluir — o progresso fica salvo neste navegador.
- CRMV e pronome em Configurações → Perfil — aparecem no cabeçalho de toda receita.

CRMV, UF e nº MAPA ficam na mesma tela, junto da numeração que continua de onde você parou.
- Clínica (nome, endereço, telefone e logo) em Configurações → Minhas clínicas — é o timbre da receita.
- Certificado A1 (e-CPF): compre em uma Autoridade Certificadora credenciada pelo ITI, faça a validação de identidade e baixe o arquivo
.pfxou.p12. - Envie o certificado em Configurações → Assinaturas — uma vez só; nas próximas assinaturas o app pede apenas a senha.

Na mesma tela ficam as duas assinaturas: o certificado ICP-Brasil e, abaixo, a manuscrita digitalizada.
- Plano Pro ativo, se você vai assinar com ICP-Brasil (a manuscrita vale em todos os planos) — veja Plano e assinatura.
- Nº MAPA em Configurações → Perfil, se você prescreve magistrais controladas.
- Peso do paciente e CPF e endereço do responsável cadastrados — os tipos controlados exigem esses dados, e o app pede na hora se faltarem.
- Crie a receita em Receitas → Nova receita, escolha o paciente e o tipo de receituário.
- Assine: toque em Assinar, escolha o método e digite a senha do certificado.

Ao escolher o tipo, a receita já abre no modelo certo — aqui, o de controle especial.

O app só oferece o método aceito para aquele receituário: na controle especial, a manuscrita aparece desabilitada.
- Envie o PDF assinado ao responsável por WhatsApp ou e-mail — o QR permite à farmácia verificar a receita e registrar a dispensação.

A mensagem já sai pronta, com o link do arquivo no portal do responsável.

Foi isso que a farmácia vê ao escanear o QR: os dados da assinatura, o PDF original e o formulário de dispensação.
Ainda avaliando o app? A página receita veterinária digital com assinatura ICP-Brasil resume em uma tela o que dá para fazer hoje, com os planos e um canal de dúvidas no WhatsApp.
Perguntas rápidas
Preciso comprar certificado se só emito receita simples?
Não. A receita simples aceita a assinatura manuscrita digitalizada em qualquer plano. O certificado passa a ser necessário quando você prescreve controlados.
A conta gov.br serve para assinar receita veterinária?
Não. O gov.br não é certificado ICP-Brasil e o app não assina por ele. Para controlados, a norma exige o certificado qualificado.
A farmácia vai aceitar?
A receita traz QR e código de verificação que abrem a página pública com os dados da assinatura e o PDF original, e a farmácia registra ali a dispensação. Alguns estabelecimentos ainda pedem via impressa para controle especial: o PDF assinado pode ser impresso normalmente.

Quando o SNCR chega à minha conta?
Assim que a ANVISA liberar o ambiente de produção e o recurso for habilitado para a sua conta, a seção SNCR aparece em Configurações → Assinaturas. Avisaremos por e-mail e nas novidades do app.