Durante anos, assinar uma receita veterinária significou caneta, papel e carimbo. Hoje, uma receita pode nascer, ser assinada e ser validada inteiramente no digital — com o mesmo valor jurídico de uma assinatura de próprio punho, às vezes com segurança maior. Mas o tema vem cercado de siglas: ICP-Brasil, e-CPF, A1, A3, certificado em nuvem. Este guia organiza tudo: como a assinatura digital funciona, quais tipos existem, onde conseguir um certificado confiável e como configurar isso no AllEars.Vet para assinar suas receitas em segundos.
O que é, de fato, uma assinatura digital
Assinatura digital não é uma imagem da sua rubrica colada no PDF. É um processo criptográfico: o documento é "selado" com uma chave privada que só você possui, gerando uma marca matemática única para aquele arquivo. Qualquer pessoa pode verificar duas coisas, sem depender de você:
- Autoria — quem assinou (seu nome e CPF ficam vinculados ao documento).
- Integridade — se o conteúdo foi alterado depois da assinatura. Trocar uma única vírgula invalida o selo.
No Brasil, a infraestrutura que dá fé pública a isso é a ICP-Brasil (Infraestrutura de Chaves Públicas Brasileira), criada pela MP 2.200-2/2001. Uma assinatura feita com certificado ICP-Brasil é uma assinatura qualificada — o nível mais alto, equiparado por lei à assinatura manuscrita. É exatamente esse o tipo que o Conselho Federal de Medicina Veterinária exige para receituários eletrônicos.
Assinatura qualificada x avançada: a diferença que importa
Existe um nível intermediário, a assinatura avançada — é o caso da assinatura via gov.br. Ela serve para muitos documentos do dia a dia, mas não é equivalente à manuscrita para todos os fins.
Na prática veterinária isso é decisivo: para receitas de substâncias controladas (controle especial, magistrais controladas), a legislação exige assinatura qualificada com certificado ICP-Brasil. A assinatura avançada do gov.br não basta. Por isso, o certificado ICP-Brasil é o que vale a pena ter — ele cobre desde a receita simples até a controlada.
Os tipos de certificado: A1, A3 e em nuvem
Todo certificado ICP-Brasil identifica você como pessoa (o e-CPF) ou a empresa (o e-CNPJ). Para assinar receitas, o que importa é o e-CPF — é ele que diz "foi este médico-veterinário, inscrito neste CPF, quem assinou". O que muda entre os tipos é onde a chave fica guardada:
| Tipo | Onde fica | Validade típica | Em resumo |
|---|---|---|---|
| A1 | Arquivo .pfx/.p12 no computador | 1 ano | Prático para assinar em software; pode ser enviado e guardado de forma cifrada |
| A3 | Token USB ou cartão (smartcard) | até 3 anos | A chave nunca sai do dispositivo físico — mais portátil, menos automatizável |
| Em nuvem | Servidor seguro, usado via app/celular | varia | Assina pelo celular, sem arquivo nem token |
Para um fluxo de receitas dentro de um aplicativo, o A1 (e-CPF) é o mais conveniente: é um arquivo que você instala uma vez e usa para assinar quantas receitas quiser, sem depender de token plugado.
Onde conseguir um certificado confiável
Aqui mora a parte mais importante para a segurança: certificado digital não se compra em qualquer lugar. Só tem validade jurídica o certificado emitido por uma Autoridade Certificadora (AC) credenciada pela ICP-Brasil, supervisionada pelo ITI (Instituto Nacional de Tecnologia da Informação).
A fonte oficial e atualizada das ACs credenciadas é o próprio ITI:
Entre as ACs credenciadas mais conhecidas estão nomes como Certisign, Serasa Experian, Soluti, Valid, Safeweb e Serpro — mas, antes de contratar, confirme sempre que a AC está na lista oficial vigente do ITI. O processo costuma ser:
- Escolha uma AC credenciada e o tipo de certificado (para o AllEars.Vet, e-CPF A1).
- Faça a compra e agende a validação presencial ou por videoconferência — é obrigatório comprovar sua identidade (RG, CPF, etc.).
- Após a validação, você emite e baixa o arquivo
.pfx/.p12e define uma senha. Guarde o arquivo e a senha com cuidado: são a sua identidade digital.
Desconfie de "certificados" baratos vendidos fora desse circuito: sem credenciamento ICP-Brasil, eles não têm valor legal para receituário.
Como configurar o certificado no AllEars.Vet
No app, isso é uma etapa única. Vá em Configurações → Assinatura digital, envie o arquivo .pfx/.p12 do seu e-CPF e informe a senha.

Dois pontos de segurança que valem destacar:
- O certificado é guardado de forma cifrada. A partir daí, nas próximas assinaturas, o app pede apenas a senha.
- A senha nunca é armazenada. Ela é usada só no momento de validar e usar o certificado, e descartada em seguida.
Você pode ver a qualquer momento o titular e a validade do certificado, e removê-lo quando quiser. Hoje o AllEars.Vet aceita o A1 (e-CPF ICP-Brasil); A3 (token/cartão) e certificado em nuvem ainda não são suportados.
Como criar e assinar uma receita
Com o certificado configurado, o fluxo da receita fica direto. Ao tocar em Nova receita e escolher o paciente, você seleciona o tipo de receituário — e cada tipo já carrega o modelo e as exigências legais corretas:

- Receita simples — prescrição comum, sem exigências de substância controlada.
- Controle especial — modelo em 2 vias (Portaria SVS/MS nº 344/98); exige o CPF do responsável.
- Magistral (manipulada) — para fórmulas manipuladas com substância controlada; exige seu nº de registro no MAPA e o endereço do responsável.
O app valida os dados obrigatórios antes de avançar e deixa você preencher na hora o que faltar. Com a receita pronta, é só tocar em Assinar e digitar a senha do certificado. O resultado é um PDF com o carimbo "Assinado digitalmente por … — ICP-Brasil" no lugar da assinatura manual.
E tem um detalhe pensado para o mundo real da farmácia: o PDF assinado traz um QR Code e um código curto que abrem uma página pública de validação. Mesmo numa via impressa, quem recebe a receita pode escanear, conferir quem assinou e baixar o PDF original. Qualquer pessoa também pode validar o arquivo em validar.iti.gov.br, o verificador oficial do governo.
Depois de assinada, a receita fica imutável — não pode ser editada nem excluída, porque qualquer alteração quebraria a assinatura. Para mudar algo, você gera uma nova versão.
Em resumo
A assinatura digital de receitas não é burocracia nova — é a forma de manter a validade jurídica do papel, com mais segurança e rastreabilidade, no fluxo digital. O caminho é simples: tenha um e-CPF A1 ICP-Brasil, comprado de uma AC credenciada pelo ITI, e configure-o uma vez no AllEars.Vet. A partir daí, cada receita sai assinada, verificável e pronta — sem papel, sem carimbo, sem retrabalho.


