Raças
Shih Tzu
Cão de companhia de origem tibetana, de pequeno porte e pelagem longa. Raça braquicefálica com predisposição a doenças oculares, dermatológicas e ortopédicas, mas com longevidade relativamente boa (mediana de 12,7 anos).
Visão geral
| Espécie | Cães |
|---|---|
| Origem | Tibete (China) |
| Porte | pequeno |
| Peso (macho) | 4.5 a 8.5 kg |
| Peso (fêmea) | 4.5 a 7.3 kg |
| Expectativa de vida | 10 a 16 anos |
| Pelagem | Pelagem externa longa, densa, não cacheada, com subpelo moderado. Exige escovação frequente (diária a cada dois dias) e tosa periódica para evitar embaraçamento e dermatites. |
| Nível de atividade | moderado |
Predisposições
| Condição | Observações | Rastreio |
|---|---|---|
| Doença periodontal | Desordem mais prevalente em estudo de atenção primária veterinária no Reino Unido (9,5% de 2.423 cães). Prioridade de saúde oral identificada pela literatura. | Avaliação odontológica anual a partir de 1 ano de idade. |
| Úlcera de córnea / ceratite ulcerativa | Raça braquicefálica com órbitas rasas e exoftalmia; cães braquicefálicos têm ~11,8 vezes mais chance de desenvolver úlceras corneanas que mestiços. Estudo brasileiro em hospital veterinário registou 15,2% de diagnósticos de ceratite ulcerativa em 574 Shih Tzus. | Exame oftalmológico com fluoresceína a cada 6–12 meses; avaliação imediata ante sinais de dor ocular. |
| Ceratoconjuntivite seca (KCS) | Predisposição imunomediada; frequentemente se manifesta antes dos 4 anos de idade. Forma ulcerativa predominante na raça. Estudo brasileiro registou 15% de diagnósticos de KCS em 574 Shih Tzus. | Teste de Schirmer (STT-1) anual a partir de 1–2 anos de idade. |
| Distíquise e entrópio | Distíquise em 9,1% e entrópio em 6,7% dos casos em estudo retrospectivo brasileiro. Macroblefaria e conformação braquicefálica contribuem para alterações palpebrais. | Exame oftalmológico com magnificação anual. |
| Catarata hereditária | Diagnóstico mais precoce que em outras raças (~6,5 anos em Shih Tzus vs. 8,3 anos em outras raças). 4,6% de diagnósticos em estudo retrospectivo brasileiro. | Exame oftalmológico anual; considerar avaliação antes da reprodução. |
| Luxação patelar | Raça de pequeno porte com predisposição reconhecida; ~23% dos cães examinados apresentaram algum grau de luxação (graus 1–2 mais comuns). Predominantemente medial. | Exame ortopédico em filhotes e anual; radiografia se houver claudicação. |
| Doença do disco intervertebral (IVDD tipo I) | Associada ao retrogene FGF4 no cromossomo 12 (condrodistrofia/CDDY). Frequência alélica estimada em 0,25 na raça. Risco aumentado de hérnia discal com compressão medular. | Teste genético para CDDY/IVDD disponível; avaliação neurológica ante sinais de dor vertebral ou ataxia. |
| Síndrome braquicefálica obstrutiva (BOAS) | Estudo transversal no Reino Unido identificou BCS como fator de risco significativo para BOAS em Shih Tzus (OR 5,0). Estenose de narinas e baixa razão craniofacial também associadas. | Avaliação clínica respiratória; graduação funcional respiratória (RFG) em cães com sibilância ou intolerância ao exercício. |
| Displasia renal | Herança autossômica dominante com penetrância incompleta. Estudo de biópsia em 74 Shih Tzus na América do Norte encontrou evidências histológicas em 84% dos animais, embora nem todos desenvolvam insuficiência renal clínica. | Monitoramento de bioquímica renal (ureia, creatinina) e urinálise anual; teste genético disponível. |
| Hérnia umbilical | Prevalência significativamente maior que a população canina geral; fêmeas mais afetadas que machos. | Exame físico neonatal e na primeira consulta veterinária. |
| Demodicose de início adulto | Raça entre as mais acometidas por demodicose adulta; risco aumentado em cães acima de 4 anos. | Raspado de pele ante alopecia ou dermatite. |
| Doenças cutâneas (alergias e dermatite de dobra) | Desordens cutâneas foram o grupo mais prevalente (16,6%) em estudo de atenção primária no Reino Unido. Machos mais predispostos que fêmeas. Dermatite de dobra facial comum pela conformação braquicefálica. | Avaliação dermatológica anual; limpeza de dobras faciais diária. |
Predisposições e cuidados clínicos
A conformação braquicefálica do Shih Tzu é o principal fator de risco para múltiplas condições. Doenças oftalmológicas são particularmente prevalentes: um estudo retrospectivo brasileiro com 574 Shih Tzus em hospital veterinário universitário identificou ceratite ulcerativa (15,2%), ceratoconjuntivite seca (15%), distíquise (9,1%), entrópio (6,7%) e catarata (4,6%) como os diagnósticos mais frequentes. A KCS imunomediada frequentemente se manifesta antes dos 4 anos de idade, e cães braquicefálicos têm aproximadamente 11,8 vezes mais chance de desenvolver úlceras corneanas que mestiços.
No Reino Unido, estudo de atenção primária (VetCompass, 11.082 Shih Tzus) identificou doença periodontal (9,5%), impactação de sacos anais (7,4%) e desordens auriculares (5,5%) como as condições individuais mais comuns. Desordens cutâneas (16,6%), dentais (13,3%) e oftalmológicas (11,9%) lideraram os grupos de diagnósticos. Hérnias umbilicais e demodicose de início adulto também apresentaram prevalência aumentada em relação à população canina geral.
Ortopedicamente, a luxação patelar medial é reconhecida na raça, com aproximadamente 23% dos cães examinados apresentando algum grau de luxação. A doença do disco intervertebral tipo I está associada ao retrogene FGF4 (condrodistrofia), com frequência alélica estimada em 0,25 na raça. A displasia renal, com herança autossômica dominante de penetrância incompleta, foi identificada em 84% de biópsias de Shih Tzus em estudo norte-americano, embora nem todos os animais desenvolvam insuficiência renal clínica.
A síndrome braquicefálica obstrutiva (BOAS) ocorre na raça, com estudo transversal no Reino Unido identificando o escore de condição corporal como fator de risco significativo (OR 5,0). Estenose de narinas e baixa razão craniofacial também contribuem para o risco.
Origem e história
O Shih Tzu é uma raça de companhia originária do Tibete, com padrão patronado pela Grã-Bretanha. Historicamente associado à realeza chinesa, a raça foi reconhecida pela FCI no Grupo 9 (Cães de Companhia e Toy), Seção 5 (Raças Tibetanas). Sua popularidade cresceu significativamente nas últimas décadas, tornando-se uma das raças mais registradas no Brasil e no mundo.
Características físicas
Cão de pequeno porte, o Shih Tzu apresenta altura máxima de 27 cm na cernelha e peso entre 4,5 e 8 kg, sendo o peso ideal entre 4,5 e 7,5 kg segundo o padrão CBKC/FCI. Um estudo epidemiológico no Reino Unido com 11.082 Shih Tzus encontrou peso adulto médio de 7,9 kg (machos: 8,5 kg; fêmeas: 7,3 kg). A pelagem é longa, densa e de textura não lanosa, com subpelo moderado, exigindo escovação frequente. A conformação craniana é braquicefálica, com focinho curto e órbitas rasas — características que têm implicações clínicas importantes.
Temperamento
Descrito como afetuoso, sociável e alerta, o Shih Tzu é tipicamente um cão de companhia que se adapta bem a ambientes urbanos. Pode apresentar certa teimosia no treinamento. O nível de atividade é moderado, com necessidades de exercício atendidas com passeios diários curtos a médios.
Cuidados diários
A pelagem exige escovação diária ou a cada dois dias e tosa periódica. As dobras faciais devem ser limpas diariamente para prevenir dermatite intertriginosa. A higiene bucal é prioridade, com escovação frequente e profilaxia veterinária anual. Deve-se evitar exercício em calor intenso e utilizar coleira de peito. O monitoramento do peso corporal é fundamental, pois o sobrepeso aumenta significativamente o risco de BOAS e IVDD. Exames oftalmológicos anuais, incluindo teste de Schirmer e fluoresceína, são recomendados.
Considerações para o veterinário
A mediana de idade ao óbito foi de 12,7 anos (IQR 8,7–14,3) no estudo britânico, superior à média de 11,2 anos para cães em geral no Reino Unido, sugerindo que o perfil de saúde da raça é menos comprometido que o de outras raças braquicefálicas como Bulldog Francês e Pug. As causas mais comuns de morte foram enteropatias, doença cardíaca e qualidade de vida prejudicada (cada uma com 7,9%). Recomenda-se triagem oftalmológica precoce (STT-1, fluoresceína, avaliação palpebral com magnificação), avaliação ortopédica para luxação patelar, teste genético para CDDY/IVDD em reprodutores e monitoramento bioquímico renal anual. A orientação aos tutores sobre limpeza de dobras faciais, higiene bucal e reconhecimento precoce de sinais oculares é essencial para o bem-estar da raça.
Fontes
- — Demography, common disorders and mortality of Shih Tzu dogs under primary veterinary care in the UK — VetCompass, Royal Veterinary College, Springer Nature — Canine Medicine and Genetics
- — Oftalmopatias em 574 cães da raça Shih Tzu atendidos em hospital veterinário: estudo retrospectivo, SciELO — Ciência Animal Brasileira
- — Padrão Oficial da Raça Shih Tzu — CBKC/FCI Nº 208, Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC)
- — A cross-sectional study into the prevalence and conformational risk factors of BOAS across fourteen brachycephalic dog breeds, PLOS ONE
- — Get a GRIHP! on the Shih Tzu — Breed-Specific Health Reports, DogWellNet / IPFD
- — Shih Tzu — Keratoconjunctivitis Sicca, UFAW (Universities Federation for Animal Welfare)
- — Renal Dysplasia in Dogs: Signs, Symptoms, Treatment, American Kennel Club (AKC) Expert Advice
- — New research highlights surprisingly good health characteristics in Shih Tzu dogs in the UK, Royal Veterinary College — VetCompass
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