Raças
Maltês
Pequeno cão de companhia de origem mediterrânea; pelagem longa e branca, vida longa, porém predisposto a problemas dentários, luxação patelar, colapso traqueal, shunts porto‑sistêmicos e algumas doenças oculares.
Visão geral
| Espécie | Cães |
|---|---|
| Origem | Bacia central do Mediterrâneo (associação histórica com Malta / Itália). |
| Porte | pequeno |
| Peso (macho) | 3 a 4 kg |
| Peso (fêmea) | 3 a 4 kg |
| Expectativa de vida | 12 a 15 anos |
| Pelagem | Pelagem longa, fina e sedosa (branca) — alto grau de manutenção: escovação diária, banhos periódicos e tosas de higiene; propensão a nós e dermatite por umidade na face. |
| Nível de atividade | moderado |
Predisposições
| Condição | Observações | Rastreio |
|---|---|---|
| Doença periodontal (periodontite) | Altíssima prevalência em cães toy; conformação do maxilar favorece acúmulo de placa, perda dentária e doença sistêmica associada. | Exame oral semianual; avaliação odontológica sob anestesia quando indicado; higiene domiciliar diária (escovação) e profilaxia profissional. |
| Luxação patelar (medial, frequentemente) | Predisposição bem documentada em raças de pequeno porte, incluindo Maltês; pode predispor a ruptura do LCC e osteoartrite. | Avaliação ortopédica rotineira (palpação/gradeamento), radiografias do joelho se claudicação persistente; encaminhar para ortopedia para casos grau III–IV. |
| Shunt porto‑sistêmico congênito (extra‑hepático) | Evidência de componente hereditário em Maltês; sinais muitas vezes aparecem em idade jovem (baixo ganho de peso, episódios neurológicos pós-prandiais). | Teste de triagem: bileácidos séricos (pré e pós‑prandial) ou amônia; confirmar por imagem (ultrassom/TC/angiografia) antes de cirurgia. |
| Colapso traqueal / doença das vias aéreas superiores | Doença comum em cães toy; apresenta tosse "honking", intolerância ao exercício e piora com tração em coleira rígida. | Anamnese de tosse crônica; radiografia cervical/torácica e traqueobroncoscopia para stadificação; aconselhar uso de peitoral/harness e manejo médico inicial. |
| Doença valvar mitral degenerativa (DMVD) | DMVD é uma causa frequente de doença cardíaca em cães pequenos; estudos genéticos identificaram variantes associadas em Maltês. | Ausculta cardíaca anual; ecocardiografia por cardiologista quando sopro/insuficiência encontrados ou para estratificação de risco. |
| Doenças oculares hereditárias (PRA — prcd, catarata, persistência de membrana pupilar, distrofias corneanas) | Relatos de PRA em Maltês (idade típica de manifestação relatada: adultos jovens a meia‑idade em algumas formas). | Exame oftalmológico por especialista (fundoscopia/ERG quando indicado); testes genéticos disponíveis para algumas formas de PRA (p.ex. prcd-PRA). |
| Síndrome do tremor esteroide‑responsiva ("little white shaker" / generalized tremor syndrome) | Descrita inicialmente em cães pequenos e brancos (Maltese, Bichon, Westie); resposta clínica frequente a corticoterapia. | Exame neurológico; considerar neuroimagem e exame de líquor para casos atípicos; teste terapêutico com corticosteroide conforme protocolo. |
| Epífora / mancha de lágrima (epiphora conformacional) | Conformação de focinho/órbita e pêlos faciais finos favorecem acúmulo de lágrimas e maceração/dermatite na face branca. | Teste de Schirmer, flushing do sistema nasolacrimal; avaliação de entropion/distiquíase e medidas higiénicas locais. |
Predisposições e cuidados clínicos
O Maltês apresenta várias predisposições relevantes para a clínica cotidiana. Doença periodontal tem alta prevalência em cães de porte toy; a literatura epidemiológica e avaliações de grandes bases de dados mostram risco aumentado em raças pequenas, exigindo prevenção ativa. (onlinelibrary.wiley.com)
Luxação patelar (frequentemente medial) é comum em cães pequenos e está bem documentada em séries e revisões; o diagnóstico é clínico com complementação radiográfica e a correção depende do grau e da inserção funcional. (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)
Shunts porto‑sistêmicos extra‑hepáticos têm evidência de hereditariedade em Maltês e costumam manifestar‑se precocemente; bileácidos séricos (pré e pós‑prandial) são testes de triagem úteis e a confirmação depende de imagem (US/TC) — importante para triagem de filhotes com baixo ganho de peso ou sinais neurológicos pós‑prandiais. (pubmed.ncbi.nlm.nih.gov)
Colapso traqueal e outras doenças das vias aéreas superiores são relatadas com frequência em raças toy, incluindo Maltês; a tosse característica e a piora com tração em coleira orientam investigação (radiografia, traqueobroncoscopia). Recomenda‑se evitar coleiras rígidas. (vetmed.tennessee.edu)
Doença valvar mitral degenerativa e alterações oculares hereditárias (incluindo formas de PRA) também constam na literatura específica da raça; exames cardiológicos (ausculta rotineira e ecocardiograma quando indicado) e avaliação oftalmológica/ testes genéticos (quando disponíveis) são recomendados em programas de saúde reprodutiva. (pmc.ncbi.nlm.nih.gov)
Origem e história
O Maltês é uma raça de companhia associada historicamente à bacia central do Mediterrâneo, com tradição ligada à ilha de Malta e à Itália; o padrão FCI sob patrocínio italiano especifica o tipo e as medidas da raça. (livrozilla.com)
Características físicas
Cão de porte pequeno, geralmente 3–4 kg e altura aproximada entre 20–25 cm (machos tendem a medir ligeiramente mais que fêmeas), pelagem longa, lisa e branca, com exigência elevada de grooming. Medidas oficiais do padrão (FCI/CBKC) usam 21–25 cm para machos e 20–23 cm para fêmeas e peso orientativo de 3–4 kg. (livrozilla.com)
Temperamento
Companheiro afetuoso, alerta e muito apegado ao tutor; adaptação a ambientes pequenos é boa, mas socialização e manejo de ansiedade de separação devem ser considerados na prática clínica preventiva.
Cuidados diários
Escovação diária do pelo e higiene da face para reduzir epífora; higiene oral diária e planos de profilaxia dentária; redução de fatores de risco para sobrepeso; usar peitoral/arnês para passeios; triagem precoce em filhotes com sinais de encefalopatia pós‑prandial ou crescimento insatisfatório (avaliar PSS com bileácidos) e monitorização de tosse crônica ou sinais ortopédicos.
Considerações para o veterinário
No atendimento ao Maltês, priorizar: exame oral e plano profilático, avaliação ortopédica de rotina (especialmente em filhotes e cães com claudicação intermitente), ausculta cardíaca anual e exame oftalmológico em clínicas que mantêm screening genético quando indicado. Documente e aconselhe os tutores sobre riscos associados a exemplares “micro/teacup” (não reconhecidos por padrões oficiais e com maior risco reprodutivo e clínico). Abordagens preventivas e triagem dirigidas aumentam a detecção precoce e melhoram o prognóstico.
(este resumo prioriza evidência epidemiológica e fontes veterinárias; não reproduz texto de padrões de clubes cinológicos nem material de marketing).
Fontes
- — Padrão oficial da raça Maltês (tradução FCI/CBKC), Confederação Brasileira de Cinofilia (tradução/PCD)
- — Longevity of companion dog breeds: those at risk from early death (Scientific Reports, 2024), Scientific Reports / Nature
- — The inheritance of extra‑hepatic portosystemic shunts and elevated bile acid concentrations in Maltese dogs, PubMed / Journal article
- — Patellar luxation and concomitant cranial cruciate ligament rupture in dogs – review (open access), PubMed Central (revisão)
- — Epidemiology of periodontal disease in dogs in the UK primary‑care setting (VetCompass/JSAP), Journal of Small Animal Practice / Wiley
- — ECVO breed‑specific notes: Maltese (oftalmologia), European College of Veterinary Ophthalmologists (ECVO)
- — Tracheal collapse (informativo clínico) — University of Tennessee College of Veterinary Medicine, University of Tennessee College of Veterinary Medicine
- — Genome‑wide association study of degenerative mitral valve disease in Maltese dogs (PMC), PubMed Central / Journal article
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