Raças
Lhasa Apso
Pequeno cão de companhia de origem tibetana; pelagem longa e densa, temperamento alerta e independente. Predisposto a doenças oculares (PRA, catarata), disfunções renais congénitas, adenite sebácea, luxação patelar e urolitíase.
Visão geral
| Espécie | Cães |
|---|---|
| Origem | Tibete (região do Himalaia) |
| Porte | pequeno |
| Peso (macho) | 5 a 8 kg |
| Peso (fêmea) | 5 a 8 kg |
| Expectativa de vida | 12 a 15 anos |
| Pelagem | Pelagem longa, densa e dupla (top coat longo, subpelo moderado); exige escovação frequente, higiene ocular e cuidados regulares para evitar nós e dermatites. |
| Nível de atividade | moderado |
Predisposições
| Condição | Observações | Rastreio |
|---|---|---|
| Atrofia progressiva da retina (PRA) | Várias formas genéticas descritas em Lhasa Apso (p.ex. variante IMPG2; também associação com SLC4A3 em outra forma). Apresentação pode ser tardia (forma GR‑PRA1 média 6–7 anos) ou com início mais precoce (~2,5 anos) dependendo da variante. | Exame oftalmológico anual por especialista; testes genéticos disponíveis para variantes conhecidas (p.ex. IMPG2) quando oferecidos por laboratórios. |
| Catarata | Relatos de catarata cortical/posterior em cães jovens a adultos (casos descritos entre 6 meses e 3–6 anos). | Exame oftalmológico; avaliação antes de reprodução recomendada. |
| Prolapso da glândula da 3ª pálpebra ("cherry eye") e doenças corneanas | Lhasa Apso tem risco aumentado de problemas da superfície ocular e prolapso da glândula; predisposição a úlceras e ceratite secundária por conformação/pelos faciais. | Inspeção ocular regular; avaliação com teste de Schirmer e biomicroscopia se houver lacrimejamento, opacidades ou sinais clínicos. |
| Distrofia/córnea corneal dystrophy (estromal) | Descrita em Lhasa Apso com início tipicamente entre 2–4 anos em alguns casos. | Exame oftalmológico periódico. |
| Luxação patelar (medial) e problemas ortopédicos | Luxação patelar relatada com maior frequência em raças pequenas, incluindo Lhasa Apso; tipicamente manifesta-se na fase jovem, mas sinais podem progredir e causar claudicação e osteoartrite. | Avaliação ortopédica desde filhote (palpação, classificação por graus); radiografias quando indicado; evitar saltos/trauma. |
| Adenite sebácea (sebaceous adenitis) | Doença inflamatória do folículo sebáceo relatada com predileção por Lhasa Apso; curso crônico, pode causar alopecia, escamação e odor secundário por infecção. | Biópsia de pele para confirmação histopatológica; avaliar histórico e sinais dermatológicos em cães de pelagem longa. |
| Displasia renal / displasia renal familiar | Doença renal congênita/familiar descrita em Lhasa Apso (e com sobreposição com Shih Tzu); pode levar a insuficiência renal em cães jovens ou adultos jovens. | Triagem pré-reprodutiva; avaliar USG urinária, urina, perfil bioquímico e ultrassonografia renal em cães suspeitos; excluir da reprodução cães afetados. |
| Urolitíase (Cálculos urinários — CaOx/struvite) | Submissões de cálculos reportaram Lhasa Apso entre raças com maior frequência para cálculos de oxalato de cálcio e estruvita; risco associado ao porte pequeno e fatores dietéticos/genéticos. | Urina de rotina, urocultura se indicado, radiografia/ultrassom em cães com sinais urinários; análise de cálculo se removido. |
| Síndrome do olho seco (KCS / queratoconjuntivite seca) | Relatada em documentos de saúde da raça; pode ser secundária a doenças autoimunes ou à adenite sebácea envolvendo glândulas palpebrais/meibomianas. | Teste de Schirmer tear test; pesquisa de conjuntivite/ceratite em consultas oculares. |
Predisposições e cuidados clínicos
As principais preocupações com evidência na literatura e manuais oftalmológicos incluem doenças oculares hereditárias (PRA — com variantes genéticas descritas, catarata, distrofias corneanas e prolapso da glândula da 3ª pálpebra). A raça também tem relatos consistentes de displasia/alterações renais de natureza familiar, adenite sebácea (dermatose crônica), luxação patelar (medial) e predisposição a certos tipos de urolitíase (cálculos). Para o clínico: triagens oftalmológicas periódicas (e testes genéticos quando disponíveis), avaliação ortopédica desde filhote, investigação dermatológica com biópsia em casos suspeitos de SA, e monitorização renal/urinária em animais com história familiar são medidas recomendadas.
Origem e história
O Lhasa Apso é uma raça antiga originária do Tibete, desenvolvida como cão sentinela em mosteiros e palácios do planalto tibetano. O nome refere-se à cidade de Lhasa; historicamente era guardado em ambientes internos e oferecido como presente diplomático a figuras de fora da região. (padrões nacionais e internacionais registram sua origem tibetana).
Características físicas
Cão de pequeno porte, corpo mais longo que alto, pelagem longa e pesada com subpelo moderado. A altura ideal à cernelha situa‑se por volta de 25–28 cm e o peso típico entre aproximadamente 5–8 kg; a pelagem exige escovação e cuidados regulares para evitar nós e dermatites. O foco clínico inclui atenção à conformação facial e aos pelos que podem irritar a córnea.
Temperamento
Grupo de cães com comportamento alerta, independente e leal ao núcleo familiar; costuma ser desconfiado com estranhos. Exige socialização precoce e treinamento consistente; não é incomum a tendência a vocalizar como alarme.
Cuidados diários
Escovação e higiene ocular diárias; banhos e secagem adequados; controlo de parasitas; higiene auricular e dentária regular; manter rotina de exercício moderado e evitar saltos excessivos; atenção à ingestão hídrica e sinais urinários (hematuria, estrangúria) por risco aumentado de urolitíase.
Considerações para o veterinário
Ao atender Lhasa Apso, documentar histórico reprodutivo e familiar; propor exames pré‑reprodutivos (oftalmologia, triagem renal e dermatológica); usar Schirmer, biomicroscopia e, quando indicado, encaminhar para oftalmologista. Em casos dermatológicos resistentes, considerar biópsia para diagnosticar adenite sebácea. Em cães jovens com sinais urinários ou histórico familiar, realizar análise de urina, imagem e encaminhar para urologia quando necessário. Recomende aos criadores a utilização de testes fenotípicos e genéticos disponíveis para reduzir a transmissão de doenças hereditárias.
Observação de bem‑estar: embora não braquicefálico, o Lhasa Apso requer manejo atento da pelagem (nós -> dermatite, infecções secundárias) e rastreio das condições hereditárias descritas para evitar sofrimento evitável.
Fontes
- — A LINE-1 insertion situated in the promoter of IMPG2 is associated with autosomal recessive progressive retinal atrophy in Lhasa Apso dogs, PLoS Genetics / PubMed Central
- — Known and Presumed Hereditary Eye Diseases (KP-HED) in Dogs and Cats — ECVO Manual (Lhasa Apso entry), European College of Veterinary Ophthalmologists (ECVO)
- — Patellar luxation in dogs (review), Open Veterinary Journal / PubMed Central
- — Longevity of companion dog breeds: those at risk from early death (Scientific Reports, 2024), Scientific Reports (Liverpool John Moores University repository)
- — Sebaceous adenitis in Swedish dogs, a retrospective study of 104 cases, Acta Veterinaria Scandinavica / PubMed Central
- — Canine urolithiasis: analysis of urolith submissions to the Canadian Veterinary Urolith Centre (1998–2003), Canadian Veterinary Urolith Centre / PubMed Central
- — Lhasa Apso — Breed standard (The Kennel Club, UK), The Royal Kennel Club (UK)
- — Padrão oficial (CBKC) — Lhasa Apso (documento CBKC), Confederação Brasileira de Cinofilia (CBKC)
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