Raças

Buldogue Inglês

Raça braquicefálica de origem britânica com conformação compacta; predisposta a síndrome das vias aéreas braquicefálicas (BOAS), dermatites por pregas, problemas oculares, displasias ortopédicas e alta taxa de cesarianas.

Visão geral

EspécieCães
OrigemReino Unido (Inglaterra)
Portemédio
Peso (macho)22.7 a 27.6 kg
Peso (fêmea)18.1 a 24.3 kg
Expectativa de vida7.2 a 10 anos
PelagemPelagem curta e lisa; baixa demanda de escovação, mas requer limpeza regular de pregas faciais e intertríginas.
Nível de atividademoderado

Predisposições

CondiçãoObservaçõesRastreio
Brachycephalic Obstructive Airway Syndrome (BOAS) Altíssima prevalência clínica em Buldogue Inglês devido a narinas estreitas, palato mole longo e traqueia hipoplásica; manifesta-se por ruído respiratório, intolerância ao exercício, sibilos, cianose e risco aumentado de hipertermia. Protocolo de gradiação funcional (University of Cambridge / Respiratory Function Grading) com exame antes e após teste de tolerância ao exercício (3 min. trot); usar para triagem pré-anestésica e programas de cria.
Dermatite por pregas e piodermas Pregas faciais e do sulco caudal favorecem maceração, supercrescimento bacteriano/levuriforme e infecções secundárias; piodermia e otite externa são relatadas com frequência elevada. Inspeção rotineira de pregas, cultura/antibiograma em casos recorrentes, controlar umidade; prevenir com higiene local.
Doenças oftálmicas (ceratites, úlceras corneanas, entrópio, prolapso da glândula do 3.º pálpebra) Alta prevalência de problemas corneanos e prolapso da glândula ("cherry eye"); conformação facial contribui para trauma e exposição corneana. Exame oftálmico rotineiro (biomicroscópio quando possível), teste de Schirmer se olho seco suspeito, monitorar para úlceras; encaminhar p/ oftalmologia conforme necessidade.
Displasias e problemas ortopédicos (displasia coxofemoral, luxação patelar, malformações vertebrais) Risco aumentado de displasia de quadril e de outras alterações esqueléticas relacionadas a seleção por conformação; muitos Bulldogs apresentam alterações radiográficas e clínicas. Radiografias para triagem (OFA/PennHIP quando indicado), exame ortopédico e avaliação de marcha; considerar encaminhamento para ortopedia em sinais de claudicação.
Distrocia e alta taxa de cesariana Particular susceptibilidade ao parto obstrutivo por desproporção cefalopelviana e malformações fetais; estudos e inquéritos reportam taxas de cesariana eletiva/urgente muito elevadas (em pesquisas de criadores >80–90%). Planejamento reprodutivo com avaliação radiográfica/USG, discutir cesariana eletiva e cuidados neonatais; informar riscos aos proprietários.
Traqueia hipoplásica e complicações anestésicas Traqueia de menor diâmetro que aumenta risco anestésico e eventos respiratórios perioperatórios. Radiografia torácica pré-operatória quando indicado; planejar intubação e suporte respiratório especializados.
Obesidade Comum e agrava sinais respiratórios e ortopédicos; controle de peso melhora qualidade de vida. Avaliar condição corporal regularmente; plano nutricional com monitoramento de peso.
Urolitíase por urato (hiperuricosúria hereditária) Mutação SLC2A9 (Cys181Phe, transportador de urato) identificada em Bulldogs, com frequência alélica de 0,16 e cerca de 3% da população estimada como hiperuricosúrica (homozigotos), predispondo à formação de cálculos de urato; machos jovens mais acometidos. Fenótipo semelhante ao classicamente descrito em Dálmatas. Relação ácido úrico:creatinina urinária para triagem de hiperuricosúria; urinálise e exame de imagem (radiografia/ultrassom) em cães com sinais de trato urinário inferior; teste genético para a mutação SLC2A9 disponível comercialmente; considerar dieta com restrição de purinas em portadores.

Predisposições e cuidados clínicos

Os problemas de maior relevância clínica são relacionados à braquicefalia: BOAS (ruído respiratório, intolerância ao exercício, risco de hipertermia) é frequente e deve ser avaliado com protocolo funcional (examinar antes e após teste de tolerância ao exercício — esquema tipo Cambridge). Pregas cutâneas favorecem dermatites por pregas, piodermas e otites externas; higiene local e cultura bacteriana em casos recorrentes são medidas essenciais. Doenças oculares (ceratites, úlceras corneanas, prolapso da glândula da terceira pálpebra) e alterações ortopédicas (displasia coxofemoral, luxação patelar, malformações vertebrais) têm prevalência acima da média de cães em estudos de prática.
A reprodução apresenta risco elevado de distócia: numerosos inquéritos e estudos descrevem taxas muito altas de cesarianas eletivas/emer. por desproporção cefalopelviana; o planejamento reprodutivo deve incluir avaliação e orientação quanto a cesariana. Por fim, traqueia hipoplásica e maior risco anestésico exigem avaliação e protocolos adaptados.

Origem e história

O Buldogue Inglês (Bulldog/British Bulldog) originou-se nas Ilhas Britânicas, historicamente usado em bull‑baiting; a partir do séc. XIX a forma foi progressivamente modificada por selecção para o fenótipo compacto, acompanhante e de face curta que conhecemos hoje.

Características físicas

Cão de porte médio, cabeça grande e curta, focinho braquicefálico, pele solta com pregas faciais e corpo musculoso e baixo. Pelagem curta e lisa; escovação simples, mas as pregas exigem higiene regular para evitar intertrigo. Altura típica segundo padrões: ~35,6–38,1 cm; peso habitual informado entre ~18–28 kg dependendo do sexo e linhagem. Estudos clínicos em populações de prática mostram média de porte em torno de 24–27 kg.

Temperamento

Tende a ser afetuoso, tranquilo e resistente a longas actividades; pode ser teimoso. Adapta-se bem à vida familiar, mas requer socialização e cuidados com a segurança infantil devido ao peso e anatomia.

Cuidados diários

Limpeza e secagem das pregas faciais e sulcos do corpo diariamente; controle de peso e dieta apropriada; evitar ambientes quentes e exercício extenuante; revisões regulares de olhos e ouvidos; vacinação e antiparasitários conforme protocolos locais. Educar o tutor sobre sinais de agravamento respiratório (cianose, colapso, intolerância ao exercício).

Considerações para o veterinário

Tratar o Buldogue Inglês como paciente de risco: triagem para BOAS antes de anestesias/embarque reprodutivo; considerar oxigenação e intubação cuidadosa; orientar tutores sobre prognóstico respiratório e alternativas reprodutivas. Encaminhar para avaliação especializada (otorrino/respiratória, oftalmologia, ortopedia, cirurgia reprodutiva) quando indicado. Em programas de cria, recomendar rastreios (gradiação BOAS validada, radiografias de quadril, exames reprodutivos) e aconselhar contra seleção para conformações extremas que comprometam o bem‑estar.

Observação de bem-estar: as principais preocupações são a braquicefalia extrema, curta longevidade relativa e a alta morbilidade reprodutiva; essas informações são relevantes para tomada de decisões clínicas e para orientar proprietários.

Fontes

Página de referência pesquisada e escrita com inteligência artificial a partir de fontes públicas, e revisada automaticamente antes da publicação. Não substitui a bula do produto nem o julgamento clínico do médico-veterinário.

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