Bulário

Terbinafina

Nomes comerciais:Lamisil

Antifúngico alilamínico de uso sistêmico e tópico, empregado principalmente no tratamento da dermatofitose em cães e gatos. Em pequenos animais, o uso é majoritariamente extrarrótulo e requer acompanhamento clínico e, quando sistêmico, monitorização laboratorial.

Posologia

Cães

Via Dose Frequência Indicação
VO 30 a 40 mg/kg a cada 24 horas28 a 84 dias Dermatofitose Administrar junto com a alimentação. Em gatos, a terbinafina persiste no pelo acima da concentração inibitória mínima por cerca de 5 semanas após uso diário de 34 a 45 mg/kg por 14 dias, o que sustenta o uso pulsátil na dermatofitose felina.
tópico 1 aplicação a cada 12 horas28 a 84 dias Dermatofitose localizada Creme ou spray, na lesão e na margem de pele aparentemente sã.

Gatos

Via Dose Frequência Indicação
VO 30 a 40 mg/kg a cada 24 horas28 a 84 dias Dermatofitose Administrar junto com a alimentação. Em gatos, a terbinafina persiste no pelo acima da concentração inibitória mínima por cerca de 5 semanas após uso diário de 34 a 45 mg/kg por 14 dias, o que sustenta o uso pulsátil na dermatofitose felina.
tópico 1 aplicação a cada 12 horas28 a 84 dias Dermatofitose localizada Creme ou spray, na lesão e na margem de pele aparentemente sã.

Fontes das doses: Bulário de referência veterinária

Calculadora de dose por peso

Confira sempre a bula do produto e o peso aferido. O cálculo apenas multiplica a dose publicada nesta página pelo peso informado — a decisão clínica é do médico-veterinário.

Apresentações no Brasil

Não há produto veterinário registrado no Brasil com terbinafina. O que se prescreve em pequenos animais são as apresentações de uso humano: comprimidos de 125 mg e de 250 mg, como genérico e sob a marca Lamisil, e o spray dermatológico, também nas duas versões. Há ainda suspensão e outras formas por farmácia de manipulação veterinária.

Conservar na embalagem original, em temperatura ambiente entre 15 °C e 30 °C, protegido da luz e da umidade.

A lista completa, uma linha por apresentação, está no bloco de apresentações acima.

Indicações

A terbinafina é um antifúngico alilamínico com melhor suporte veterinário para dermatofitose em cães e gatos. Nas diretrizes da World Association for Veterinary Dermatology, terbinafina é citada entre as opções sistêmicas para dermatofitose, embora o conjunto de evidência seja menor do que para itraconazol. Em felinos, as diretrizes ABCD consideram a terbinafina uma alternativa ao itraconazol, e reforçam que o tratamento deve combinar terapia sistêmica e tópica quando a meta é cura clínica, micológica e redução da contaminação ambiental.

Para cães, a principal indicação prática é dermatofitose quando se opta por terapia sistêmica extrarrótulo. Há literatura também sobre uso em dermatite por Malassezia, mas o suporte é limitado e heterogêneo. Como os estudos disponíveis sugerem concentração cutânea possivelmente limítrofe com 30 mg/kg e não estabelecem superioridade clara frente aos antifúngicos de primeira linha, esse uso não foi estruturado como posologia de referência nesta monografia.

Para gatos, a indicação de maior interesse é dermatofitose por Microsporum canis. É importante corrigir uma interpretação frequente: o protocolo de 14 dias estudado em farmacocinética felina demonstrou persistência do fármaco no pelo por semanas após a suspensão, mas não estabelece, por si só, uma duração-padrão recomendada para tratamento de rotina. As diretrizes ABCD recomendam manter a terapia por pelo menos 10 semanas e até obtenção de duas culturas fúngicas negativas sequenciais, colhidas com intervalo de 1 a 3 semanas.

Mecanismo de ação

A terbinafina inibe a esqualeno epoxidase, etapa inicial da via de síntese do ergosterol. Com isso, reduz a integridade da membrana fúngica e leva ao acúmulo intracelular de esqualeno, o que favorece efeito fungicida sobretudo contra dermatófitos. Em cães e gatos, estudos farmacocinéticos mostram distribuição para tecidos cutâneos e pelos, característica farmacológica relevante para infecções dermatofíticas.

Contraindicações

A principal contraindicação prática é hipersensibilidade ao fármaco. Além disso, deve-se evitar o uso sistêmico em pacientes com doença hepática ativa ou disfunção hepática pré-existente, porque a terbinafina sofre metabolismo hepático e há potencial de toxicidade hepática idiossincrática.

Em gatos, essa cautela precisa ser mais explícita na decisão clínica: embora os estudos publicados em felinos não tenham demonstrado hepatotoxicidade grave como evento frequente, a base de dados é pequena e o uso é extrarrótulo. Assim, em hepatopatas felinos, o emprego sistêmico deve ser evitado sempre que houver alternativa mais segura; se utilizado, recomenda-se monitorização de ALT/AST e observação estreita de apetite, vômito e comportamento.

Também faltam dados robustos em gestação e lactação de pequenos animais, de modo que o uso nesses cenários deve ser reservado a situações em que o benefício supere claramente o risco.

Efeitos adversos

Os eventos adversos mais bem documentados em gatos incluem vômito durante o tratamento e, em alguns indivíduos, prurido facial intenso seguido de erupção cutânea maculopapular após a descontinuação. Em estudos felinos de farmacocinética e persistência no pelo, pequenas alterações em hemograma e bioquímica foram observadas, mas não foram atribuídas de forma conclusiva ao fármaco.

Em cães, os estudos farmacocinéticos e dermatológicos consultados relataram boa tolerabilidade em muitos animais, mas isso não elimina o risco de efeitos gastrintestinais e de alterações hepáticas em uso clínico. Por esse motivo, em tratamentos sistêmicos com duração de semanas, faz sentido obter perfil hepático basal e repetir exames se surgirem sinais clínicos compatíveis ou se o paciente tiver comorbidades.

Interações medicamentosas

A evidência veterinária específica para interações medicamentosas da terbinafina em cães e gatos é escassa. O ponto mais defensável para a prática é que se trata de fármaco com metabolismo hepático, de modo que a associação com outros medicamentos de potencial hepatotóxico deve ser feita com cautela, com monitorização laboratorial quando indicada.

Interações frequentemente descritas na medicina humana não devem ser automaticamente tratadas como contraindicações em pequenos animais, porque sua magnitude e relevância clínica não estão bem validadas em estudos veterinários. Portanto, a avaliação deve ser individualizada conforme espécie, comorbidades e necessidade terapêutica.

Uso tópico

Além da via oral, a terbinafina existe em apresentações tópicas (creme, spray, solução), usadas em lesões localizadas e como adjuvante da terapia sistêmica na dermatofitose. A aplicação tópica é feita em geral a cada 12 horas sobre a lesão e a área ao redor, e não é dosada por quilo — por isso não aparece na tabela de posologia acima, que só comporta doses por peso. A terapia tópica isolada raramente resolve dermatofitose generalizada: em gatos, as diretrizes felinas a tratam como complemento do tratamento sistêmico, não como substituta.

Observações clínicas

Na dermatofitose canina, a faixa oral de 20 a 30 mg/kg 1x ao dia deriva de revisão de estudos publicados, com indicação de que doses acima de 20 mg/kg foram necessárias para alcançar cura micológica em boa parte dos relatos. A duração prática deve ser guiada por resposta clínica e confirmação micológica; para esta monografia, foi adotada a faixa de 21 a 42 dias como referência operacional mais útil, evitando uma janela excessivamente ampla sem orientação prática.

Na dermatofitose felina, não use um curso curto de 14 dias como se fosse protocolo-padrão. O estudo de 14 dias serve como suporte farmacocinético para persistência no pelo e para investigação de esquemas pulsáteis, mas as diretrizes felinas recomendam manejo mais prolongado, com terapia sistêmica associada a descontaminação ambiental e tratamento tópico, mantendo o protocolo até documentação de cura micológica. Em gatos e cães, a cultura fúngica de controle 2 a 4 semanas após o término é uma medida útil para reduzir recidiva e transmissão.

Para Malassezia em cães, há estudos-piloto com 30 mg/kg 1x ao dia por 21 dias, mas a própria literatura mostra que as concentrações cutâneas obtidas podem ser apenas limítrofes em relação à MIC90 de M. pachydermatis. Por isso, esse uso deve ser visto como off-label com evidência limitada, e não como primeira escolha rotineira.

Fontes

Página de referência pesquisada e escrita com inteligência artificial a partir de fontes públicas, e revisada automaticamente antes da publicação. Última revisão em 24/08/2026. Não substitui a bula do produto nem o julgamento clínico do médico-veterinário.

Menos digitação, mais consulta

O AllEars.Vet grava o atendimento, escreve o prontuário e emite a receita — enquanto você cuida do paciente.

Começar gratuitamente