Bulário
Miltefosina
Nomes comerciais:Milteforan
Antiprotozoário leishmanicida oral usado em cães para o tratamento dos sinais clínicos da leishmaniose causada por Leishmania infantum. Em pequenos animais, o uso é essencialmente canino; em gatos, os dados são limitados e há preocupação com o excipiente propilenoglicol.
Posologia
Cães
| Via | Dose | Frequência | Indicação |
|---|---|---|---|
| 2 mg/kg | 1x ao dia28 dias | Tratamento dos sinais clínicos da leishmaniose canina causada por Leishmania infantum Administrar com alimento; a solução oral 20 mg/mL corresponde a 1 mL/10 kg. Não encurtar o tratamento. Em diretrizes e estudos, é frequentemente associada ao alopurinol. |
Fontes das doses: Bula Milteforan (Virbac)
Calculadora de dose por peso
Confira sempre a bula do produto e o peso aferido. O cálculo apenas multiplica a dose publicada nesta página pelo peso informado — a decisão clínica é do médico-veterinário.
Apresentações no Brasil
Nas fontes brasileiras e regulatórias consultadas, a apresentação identificada para uso veterinário em cães é solução oral de 20 mg/mL. A equivalência prática descrita no RCP é 1 mL para cada 10 kg de peso corporal, uma vez ao dia.
Indicações
A miltefosina é um antiprotozoário de uso oral indicado em cães para o tratamento dos sinais clínicos da leishmaniose canina causada por Leishmania infantum. As fontes consultadas convergem em um ponto importante para a prática: o tratamento melhora sinais clínicos e reduz carga parasitária, mas não erradica completamente o parasita dos tecidos profundos. Por isso, o objetivo clínico é controle da doença, melhora da qualidade de vida e redução de recaídas, e não cura parasitológica esterilizante.
Na literatura veterinária, a miltefosina aparece com frequência em associação ao alopurinol. Em estudo multicêntrico controlado, a combinação miltefosina + alopurinol mostrou redução significativa do escore clínico e da carga parasitária, com perfil de segurança aceitável ao longo do acompanhamento. Diretrizes internacionais de leishmaniose canina também listam a miltefosina a 2 mg/kg VO 1x ao dia por 28 dias como um dos protocolos atuais, geralmente associada ao alopurinol em manejo de longo prazo.
Em felinos, não encontrei produto veterinário licenciado nem recomendação robusta para uso rotineiro. Revisões sobre leishmaniose felina descrevem apenas relatos ou séries pequenas, com dados ainda limitados para definir papel terapêutico do fármaco nessa espécie.
Mecanismo de ação
A miltefosina é uma alquilfosfocolina com atividade antileishmania. O mecanismo descrito nas fontes veterinárias inclui interferência na biossíntese de fosfolipídios e no metabolismo de alquil-lipídios do parasita, além de alteração da função mitocondrial, despolarização da membrana mitocondrial e queda do ATP intracelular, culminando em morte celular tipo apoptose.
O guia do CFMV consultado também descreve interferência em vias relacionadas a glicosilfosfatidilinositol, fosfolipase e proteína quinase C do parasita, além de possível efeito imunomodulador. Para a rotina clínica, o ponto útil é que se trata de fármaco com ação leishmanicida direta, administrado por via oral.
Contraindicações
A contraindicação formal mais consistente nas fontes regulatórias consultadas é hipersensibilidade à miltefosina ou aos excipientes. O RCP europeu também orienta não usar durante gestação, lactação e em animais destinados à reprodução, com base em evidências experimentais de embriotoxidade, fetotoxidade e teratogenicidade em animais de laboratório.
Em cães com insuficiência hepática ou cardíaca grave, o uso deve ser individualizado após avaliação de risco-benefício. Embora o estudo multicêntrico consultado não tenha demonstrado impacto relevante sobre parâmetros renais e hepáticos no protocolo avaliado, isso não equivale a ausência absoluta de risco em pacientes com comorbidades avançadas.
Para gatos, a principal ressalva prática é o excipiente propilenoglicol presente na formulação oral veterinária consultada. Revisões de leishmaniose felina alertam que esse excipiente pode favorecer formação de corpúsculos de Heinz e reduzir a sobrevida eritrocitária em felinos; portanto, não é apropriado extrapolar rotineiramente a formulação canina para gatos.
Efeitos adversos
Os efeitos adversos mais esperados são gastrointestinais, principalmente vômitos e diarreia. No RCP consultado, ambos são classificados como muito frequentes em cães tratados, surgindo tipicamente entre o 5º e o 7º dia após o início do protocolo e durando, em geral, 1 a 2 dias. Em regra, são reversíveis e tendem a não exigir suspensão quando leves, mas devem ser monitorados de perto em pacientes frágeis.
A administração com alimento é recomendada justamente para reduzir intolerância digestiva. O próprio RCP menciona que antiemético concomitante pode reduzir a ocorrência desses eventos quando necessário. Estudos clínicos também relatam náusea, vômito e, ocasionalmente, alterações hematológicas como redução de eritrócitos e leucócitos em alguns cães.
Interações medicamentosas
No documento regulatório consultado, não há interações medicamentosas conhecidas. Ainda assim, há dois pontos clínicos relevantes. Primeiro, a miltefosina é comumente usada em associação ao alopurinol, e essa combinação está descrita em estudos e diretrizes como estratégia para melhorar resposta clínica e reduzir recaídas. Segundo, foi descrita resistência cruzada entre miltefosina e anfotericina B em Leishmania infantum; isso não configura interação medicamentosa clássica, mas importa ao selecionar esquemas em animais com recaída, falha terapêutica ou histórico prévio de exposição.
Observações clínicas
A miltefosina deve ser administrada por via oral com alimento. A dose encontrada em fontes regulatórias e diretrizes foi de 2 mg/kg VO 1x ao dia por 28 dias em cães. Como o parasita persiste em tecidos profundos, encurtar o protocolo favorece resposta insuficiente e pode contribuir para seleção de resistência.
No acompanhamento, vale monitorar evolução clínica, hemograma, bioquímica, urinálise e proteinúria, além de rever periodicamente a necessidade de retratamento ou de associação com alopurinol conforme estadiamento e resposta. O guia do CFMV cita que novas sequências podem ser consideradas em recidivas, com reavaliações periódicas; porém, a decisão deve ser individualizada e fundamentada no quadro clínico e laboratorial.
Também é essencial reforçar ao tutor que tratar o cão não elimina a necessidade de controle vetorial. As fontes consultadas recomendam integrar o tratamento ao uso contínuo de inseticidas tópicos de longa ação e a medidas ambientais, porque cães tratados podem permanecer infectados e seguir relevantes para a epidemiologia da leishmaniose.
Em gatos, os dados são insuficientes para propor posologia confiável de rotina a partir das fontes consultadas. Como a formulação oral veterinária licenciada para cães contém propilenoglicol, o uso felino exige cautela redobrada e não deve ser extrapolado sem justificativa técnica sólida.
Fontes
- — Guia de Bolso Leishmaniose Visceral, CFMV
- — LeishVet Guidelines – Canine leishmaniosis therapy & monitoring, LeishVet
- — Multicentric, controlled clinical study to evaluate effectiveness and safety of miltefosine and allopurinol for canine leishmaniosis, PubMed
- — RCP – MILTEFORAN 20 MG/ML SOLUTION BUVABLE POUR CHIENS, ANMV/ANSES
- — Review and statistical analysis of clinical management of feline leishmaniosis caused by Leishmania infantum, PubMed Central
Página de referência pesquisada e escrita com inteligência artificial a partir de fontes públicas, e revisada automaticamente antes da publicação. Não substitui a bula do produto nem o julgamento clínico do médico-veterinário.