Bulário

Metronidazol

Nomes comerciais:Vetnidazol, Giardicid, GiardVet, Stomorgyl, Helmizol, Flagyl

Nitroimidazólico com atividade contra bactérias anaeróbias e protozoários, usado em cães e gatos sobretudo em giardíase e infecções por anaeróbios. O uso empírico em diarreia exige critério por risco de disbiose e neurotoxicidade dependente de dose/duração.

Posologia

Cães

Via Dose Frequência Indicação
VO 15 a 25 mg/kg a cada 12 horas Infecções por anaeróbios e protozoários Faixa oral consolidada para cães e gatos. Ajustar em hepatopatas.
IV 15 mg/kg a cada 12 horas Infecções por anaeróbios e protozoários Infusão lenta. Reservada ao paciente que não recebe via oral.

Gatos

Via Dose Frequência Indicação
VO 15 a 25 mg/kg a cada 12 horas Infecções por anaeróbios e protozoários Em gatos a dose máxima não deve ultrapassar 50 mg/kg ao dia: acima disso a toxicidade neurológica deixa de ser rara.
IV 15 mg/kg a cada 12 horas Infecções por anaeróbios e protozoários Infusão lenta. Em gatos a dose máxima não deve ultrapassar 50 mg/kg ao dia.

Fontes das doses: Consolidado da referência de mercado veterinário brasileira (Viana, 2014)

Calculadora de dose por peso

Confira sempre a bula do produto e o peso aferido. O cálculo apenas multiplica a dose publicada nesta página pelo peso informado — a decisão clínica é do médico-veterinário.

Apresentações no Brasil

O metronidazol chega ao veterinário brasileiro por duas portas.

Há produtos de registro veterinário: Vetnidazol comprimidos (Vetnil), as associações com sulfadimetoxina da linha Giardicid, incluindo a suspensão (Cepav), o GiardVet (ProvetS Simões) e o Stomorgyl (Boehringer Ingelheim), que associa espiramicina ao metronidazol para uso odontológico.

E há as apresentações de uso humano, que respondem pela maior parte do que se prescreve: comprimidos de 250, 400 e 500 mg, solução oral a 40 mg/mL e solução injetável a 5 mg/mL, além das marcas Helmizol e Flagyl.

A lista completa, uma linha por apresentação, está no bloco de apresentações acima.

Indicações

O metronidazol trata infecções causadas por bactérias anaeróbias, principalmente Clostridium, Fusobacterium, Peptococcus, Peptostreptococcus e Bacteroides. Também exerce ação sobre protozoários, como Trichomonas, Giardia e Entamoeba histolytica — e é essa dupla atividade que explica por que ele aparece tanto na enterite quanto no abscesso.

Na rotina de pequenos animais ele entra em três frentes: infecção anaeróbia documentada ou provável, giardíase, e uso adjuvante em enteropatias inflamatórias e colites. A terceira é a que mais merece critério: o efeito ali é em parte antimicrobiano e em parte modulador da microbiota, e tratar diarreia inespecífica com metronidazol por reflexo é o caminho mais curto para selecionar resistência sem benefício.

Mecanismo de ação

Em ambiente anaeróbio, o grupo nitro do metronidazol é reduzido dentro do microrganismo, formando compostos reativos que danificam o DNA e interferem em processos celulares essenciais. O resultado é efeito antimicrobiano e antiprotozoário principalmente contra anaeróbios obrigatórios e alguns protozoários, incluindo Giardia.

Contraindicações

Não deve ser usado em animais muito debilitados.

Em portadores de insuficiência hepática a dose precisa ser ajustada para 25 a 50% da dose normal, porque o metabolismo do fármaco é hepático e a meia-vida se prolonga. Nefropatas exigem cautela.

O fármaco é excretado no leite e seu uso não é recomendado durante a gestação ou a lactação.

Efeitos adversos

Os efeitos digestivos são os mais comuns: glossite, estomatite, náusea e êmese.

O efeito que muda a conduta é neurológico. Em dosagens elevadas o metronidazol causa neurotoxicidade — ataxia, nistagmo, head tilt, convulsão — e no gato a margem é mais estreita: a dose máxima não deve ultrapassar 50 mg/kg ao dia. O quadro costuma regredir com a suspensão, mas leva dias.

Também estão descritos neutropenia, hepatotoxicidade, hematúria e anorexia.

Em superdosagem os sinais relatados são êmese, ataxia e desorientação leve. Não existe antídoto específico.

Interações medicamentosas

A interação mais grave é com anticoagulantes: o metronidazol diminui o metabolismo hepático deles e aumenta o efeito anticoagulante, com risco real de sangramento. A associação é considerada incompatível.

Aumentam por ação do metronidazol: ciclosporina, cujo metabolismo ele inibe a ponto de levar à toxicidade, e fenitoína, pelo mesmo mecanismo hepático. Nos dois casos a conduta é ajustar a dose.

Reduzem o metronidazol: cimetidina, por antagonismo, e fenobarbital, que induz o metabolismo do fármaco e acelera sua eliminação — aqui a recomendação é considerar outra terapia, não apenas aumentar a dose. O micofenolato tem o efeito diminuído pela redução da circulação êntero-hepática.

Com dissulfiram a associação deve ser evitada: há relatos de psicose aguda e confusão mental.

Observações clínicas

As doses da tabela são as da referência de mercado brasileira: 15 a 25 mg/kg por via oral e 15 mg/kg por via intravenosa, a cada 12 horas, para cães e gatos. Vale registrar onde a literatura diverge, porque ela costuma ser mais baixa. Um ensaio clínico randomizado em cães com diarreia aguda usou 10 a 15 mg/kg por via oral a cada 12 horas por 7 dias, com benefício clínico modesto que não justifica uso rotineiro. Para giardíase, revisões descrevem 25 mg/kg a cada 12 horas por 5 a 7 dias em cães e 7 dias em gatos — dentro da faixa publicada, no seu limite superior.

O receituário aqui é o de antimicrobiano, com retenção da receita na farmácia, e não o de controle especial. O metronidazol não consta nas listas da Portaria SVS/MS 344/1998 — a própria seção de controle desta página registra isso. Referências de mercado que trazem "controle especial" nesse campo estão descrevendo o enquadramento do produto de uso humano, não o instrumento que o médico-veterinário emite. Metronidazol não é medicamento sujeito a controle especial segundo a RDC Anvisa nº 936, de 5 de novembro de 2024.

Em cães com diarreia aguda não complicada, a evidência disponível não apoia uso rotineiro de antibiótico em todos os casos. Se houver indicação para testar metronidazol, documente o objetivo terapêutico, limite a duração e reavalie precocemente a resposta. Em giardíase, a persistência de eliminação cística após tratamento não diferencia com segurança falha terapêutica de reinfecção, o que torna manejo ambiental e higiene partes essenciais do caso.

Em gatos, dados para usos além da giardíase são mais limitados. Se o paciente apresentar hipersalivação intensa logo após a administração oral, isso pode refletir palatabilidade ruim e não necessariamente alergia. Já sinais vestibulares, ataxia, tremores ou alteração de sensório devem ser tratados como possível toxicidade e justificam suspensão imediata e reavaliação.

Fontes

Página de referência pesquisada e escrita com inteligência artificial a partir de fontes públicas, e revisada automaticamente antes da publicação. Não substitui a bula do produto nem o julgamento clínico do médico-veterinário.

Menos digitação, mais consulta

O AllEars.Vet grava o atendimento, escreve o prontuário e emite a receita — enquanto você cuida do paciente.

Começar gratuitamente