Bulário

Maropitant

Antiemético antagonista dos receptores NK1, indicado no Brasil somente para cães: prevenção e tratamento do vômito agudo e, por via oral, prevenção do vômito por enjoo de movimento (cinetose). Em gatos, o uso é extrabula.

Posologia

Cães

Via Dose Frequência Indicação
VO 2 mg/kg 1x ao diaaté 5 dias Prevenção do vômito agudo Dose mínima da bula. Uso oral somente em cães; se o cão vomitar o comprimido, a via injetável garante a dose completa.
SC 1 mg/kg 1x ao diaaté 5 dias Prevenção e tratamento do vômito agudo Equivale a 1 mL/10 kg da solução a 10 mg/mL. Uso subcutâneo somente, em cães.
VO 8 mg/kg 1x ao diaaté 2 dias consecutivos Prevenção do vômito por enjoo de movimento Administrar ao menos 2 horas antes da viagem, com jejum de 1 hora antes.

Gatos

Via Dose Frequência Indicação
SC 1 mg/kg 1x ao diaaté 5 dias Tratamento do vômito (uso extrabula no Brasil) As bulas brasileiras indicam somente cães: em gatos o uso é extrabula, embora consagrado na rotina. Dose da rotulagem internacional oficial, para gatos a partir de 16 semanas; a via IV lenta (1 a 2 minutos) também é descrita nessa rotulagem. Injeção SC pode ser dolorosa em gatos.

Fontes das doses: Bula Cerenia Comprimidos (Zoetis) · Bulas Cerenia Solução Injetável (Zoetis) e Marovet (Botupharma) · Rotulagem internacional (FDA/DailyMed); extrabula no Brasil

Calculadora de dose por peso

Confira sempre a bula do produto e o peso aferido. O cálculo apenas multiplica a dose publicada nesta página pelo peso informado — a decisão clínica é do médico-veterinário.

Apresentações no Brasil

Três apresentações veterinárias registradas:

  • Cerenia Comprimidos (Zoetis): comprimidos de 16 mg, 24 mg, 60 mg e 160 mg de maropitant, para uso oral em cães. Produto importado.
  • Cerenia Solução Injetável (Zoetis): 10 mg/mL, frasco de 20 mL, para uso subcutâneo em cães.
  • Marovet (Botupharma): citrato de maropitant 10 mg/mL, frasco-ampola de vidro âmbar com 20 mL, para uso subcutâneo em cães. Licenciamento provisório no MAPA sob nº 30/2023.

Todas são vendidas sob prescrição do médico-veterinário. A bula dos comprimidos traz tabelas de número de comprimidos por faixa de peso para cada indicação; essas tabelas estão transcritas na página de cada produto, junto com composição e armazenamento. Aqui ficam as doses por quilo que as originam.

Genérico (diversos fabricantes)

Zoetis Indústria de Produtos Veterinários Ltda.

  • Cerenia Comprimidos Maropitant; dose mínima de 2 mg/kg, entregue por faixa de peso em comprimido inteiro · Comprimidos em quatro concentrações; cartucho com 4 comprimidos Receita simples Cães

Lista mantida manualmente e não exaustiva. Confirme sempre a apresentação e a concentração na embalagem e na bula do produto que tiver em mãos.

Indicações

No Brasil, o maropitant tem três bulas veterinárias vigentes: Cerenia Comprimidos e Cerenia Solução Injetável (Zoetis) e Marovet Solução Injetável (Botupharma). Todas indicam o fármaco somente para cães, para prevenção do vômito agudo, tratamento do vômito agudo (solução injetável, associada a medidas de suporte) e prevenção do vômito induzido por enjoo de movimento (comprimidos). A ação clínica é ampla porque o fármaco interfere na via final comum do reflexo do vômito, seja o estímulo predominantemente central ou periférico.

Para gatos, não há apresentação veterinária registrada no Brasil com indicação em bula: o uso é extrabula, embora consagrado na rotina. A dose felina está na tabela, marcada como extrabula, e as Observações clínicas explicam o enquadramento.

Mecanismo de ação

O maropitant é um antagonista do receptor NK1. Ao bloquear a ligação da substância P nesses receptores, reduz a transmissão dos estímulos emetogênicos que convergem para o centro do vômito no tronco encefálico.

Na prática, isso explica por que o fármaco funciona contra diferentes gatilhos de vômito. As bulas e os estudos farmacológicos consultados descrevem eficácia contra estímulos centrais e periféricos, o que o torna útil como antiemético de uso geral quando a causa do vômito já está em investigação ou sendo tratada.

Contraindicações

O maropitant não substitui a investigação da causa do vômito. Em cães e gatos com vômito persistente, recorrente ou acompanhado de sinais sistêmicos, a resposta clínica ao antiemético não elimina a necessidade de reavaliação diagnóstica.

Nas bulas brasileiras consultadas para cães, a segurança não foi estabelecida em animais com menos de 16 semanas, e o uso também não foi avaliado em reprodutores, gestantes, lactantes, cães com obstrução gastrointestinal ou com ingestão de toxinas/sinais de intoxicação. Em cães com disfunção hepática, o uso deve ser cauteloso.

Em gatos, especialmente naqueles com doença renal crônica, o maropitant deve ser visto como adjuvante ao manejo da causa de base. O estudo clínico recuperado em felinos com DRC mostrou redução de vômitos durante 2 semanas de uso, mas não sustenta empregar o medicamento como substituto de investigação diagnóstica ou de tratamento específico da doença de base. Além disso, não há posologia oral padronizada por kg para gatos nas fontes consultadas; a formulação oral em felinos requer confirmação com o registro vigente do produto no Brasil antes da prescrição.

Efeitos adversos

Em cães, os eventos relatados nas fontes consultadas variam com a apresentação e a indicação. Na via oral para vômito agudo, foram descritos diarreia, hematoquezia, anorexia, hematúria e outros sinais menos frequentes. Na prevenção do enjoo de movimento com 8 mg/kg VO, os relatos incluíram hipersalivação, vômito, tremores musculares, sedação/depressão, ânsia de vômito, flatulência, além de letargia, inapetência, ansiedade e muco nas fezes em estudo europeu.

Na formulação injetável em cães, os eventos mais característicos são dor ou reação no local da injeção, além de diarreia, anorexia e letargia. Em farmacovigilância pós-aprovação, também foram descritos, em ordem decrescente de notificação, vocalização à injeção, depressão/letargia, anorexia, reações anafiláticas/anafilactoides, ataxia, convulsões, hipersalivação, tremores, febre, dispneia, colapso/perda de consciência, recumbência e sedação.

Em gatos, a solução injetável pode provocar resposta dolorosa à aplicação com recuo, vocalização e, em alguns animais, reação mais intensa à injeção. Em estudo de campo citado na rotulagem internacional, também foram relatados febre/pirexia, desidratação, letargia, anorexia e hematúria.

Interações medicamentosas

As fontes consultadas recomendam cautela quando o maropitant é administrado com outros medicamentos de alta ligação a proteínas plasmáticas, porque essa associação não foi adequadamente estudada em cães. O mesmo vale para fármacos que possam inibir seu metabolismo hepático.

Como o metabolismo envolve isoenzimas do citocromo P450 e as bulas destacam a participação de vias do tipo CYP3A, a prudência é maior em pacientes com doença hepática e em protocolos com múltiplos fármacos. Em uso hospitalar, a orientação prática é monitorar resposta clínica e eventos adversos quando o maropitant fizer parte de terapia adjunta.

Observações clínicas

Em cães, as duas posologias orais não se confundem: 2 mg/kg, 1x ao dia, por até 5 dias, para o vômito agudo, e 8 mg/kg para o enjoo de movimento, administrada ao menos 2 horas antes da viagem, com jejum de 1 hora, por no máximo 2 dias consecutivos. Pela via subcutânea, 1 mg/kg, 1x ao dia, por até 5 dias, o que equivale a 1 mL para cada 10 kg nas soluções a 10 mg/mL. Se o cão vomitar o comprimido, a via injetável garante a administração da dose completa.

A via intravenosa não consta de nenhuma bula brasileira: o injetável registrado aqui é subcutâneo. Rotulagens de outros países descrevem administração IV lenta, em 1 a 2 minutos, na mesma dose de 1 mg/kg; trata-se de extrapolação de rotulagem estrangeira, sob responsabilidade do prescritor.

Em gatos, todo uso no Brasil é extrabula: as bulas nacionais indicam somente cães. Ainda assim, o uso felino é consagrado na rotina, e a rotulagem internacional oficial (FDA/DailyMed) descreve 1 mg/kg por via SC ou IV lenta, 1x ao dia, por até 5 dias, para tratamento do vômito em gatos a partir de 16 semanas de idade. Por isso a dose felina aparece na tabela acima, marcada como extrabula e com a fonte nomeada: quem prescreve deve saber que está fora da bula brasileira, não deixar de encontrar a dose. Em doença renal crônica felina, um ensaio clínico usou 4 mg por gato, VO, 1x ao dia, por 2 semanas, com redução de vômitos: é dose fixa de estudo, não posologia de bula. A injeção subcutânea pode provocar resposta dolorosa em gatos, com recuo e vocalização.

Fontes

Página de referência pesquisada e escrita com inteligência artificial a partir de fontes públicas, e revisada automaticamente antes da publicação. Não substitui a bula do produto nem o julgamento clínico do médico-veterinário.

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