Bulário
Furosemida
Diurético de alça usado principalmente para controlar edema pulmonar e outras formas de congestão por insuficiência cardíaca em cães e gatos. Também pode ser empregado em edema/efusões e, em contexto selecionado, por via parenteral ou subcutânea.
Posologia
Cães
| Via | Dose | Frequência | Indicação |
|---|---|---|---|
| 1 a 3 mg/kg | a cada 8 ou 12 horas | Insuficiência cardíaca congestiva moderada Titular pela resposta clínica e pelo grau de congestão, buscando a menor dose eficaz. Monitorar eletrólitos, creatinina e hidratação. | |
| 2 a 6 mg/kg | a cada 1 a 4 horas na fase aguda | Insuficiência cardíaca congestiva fulminante / edema pulmonar agudo Em quadros agudos a dose pode ser repetida a cada 1 a 4 horas até queda da frequência respiratória e melhora da ausculta. Reavaliar continuamente eletrólitos e perfusão. |
Gatos
| Via | Dose | Frequência | Indicação |
|---|---|---|---|
| 1 a 2 mg/kg | a cada 8 ou 12 horas | Insuficiência cardíaca congestiva moderada Titular pela resposta clínica e pelo grau de congestão, buscando a menor dose eficaz. Monitorar eletrólitos, creatinina e hidratação. | |
| 1 a 4 mg/kg | a cada 1 a 4 horas na fase aguda | Insuficiência cardíaca congestiva fulminante / edema pulmonar agudo Em quadros agudos a dose pode ser repetida a cada 1 a 4 horas até queda da frequência respiratória e melhora da ausculta. Reavaliar continuamente eletrólitos e perfusão. |
Calculadora de doses
Confira sempre a bula do produto e o peso aferido. O cálculo apenas multiplica a dose publicada nesta página pelo peso informado — a decisão clínica é do médico-veterinário.
Apresentações no Brasil
Nas bases públicas consultadas da Anvisa e do Ministério da Saúde, a furosemida aparece em apresentações de comprimido 40 mg, solução oral 10 mg/mL e solução injetável 10 mg/mL. Para a prática veterinária, isso viabiliza uso enteral crônico e uso parenteral em emergência, com necessidade de cálculo individual por peso e estado clínico.
Vetnil
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Furolisin
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Indicações
A furosemida é o diurético de alça de referência para controle rápido da congestão em cães e gatos com insuficiência cardíaca congestiva (ICC), especialmente quando há edema pulmonar e, em felinos, também efusão pleural. Em cães, consensos de cardiologia a colocam como terapia central no edema pulmonar cardiogênico agudo e no manejo crônico da ICC por doença valvar mixomatosa. Em gatos, o consenso ACVIM a descreve como o principal fármaco para controle de edema pulmonar e efusões associadas à ICC.
Além da congestão pulmonar, a furosemida pode ser usada quando a ICC cursa com ascite e outras efusões cavitárias, sempre como parte de um plano terapêutico mais amplo e com monitorização seriada. Para pacientes refratários em casa, há literatura recente de uso subcutâneo em cães e gatos, mas a evidência ainda é retrospectiva e limitada; portanto, essa via deve ser reservada a casos selecionados, com tutor treinado e reavaliações frequentes.
Mecanismo de ação
A furosemida bloqueia o cotransportador Na+-K+-2Cl− na alça ascendente espessa de Henle. O efeito é aumento da excreção urinária de sódio, cloro e água, com redução da pressão de enchimento e do volume de fluido acumulado em pulmões e cavidades serosas.
Clinicamente, isso se traduz em alívio da congestão. Em emergência, o objetivo é reduzir a sobrecarga hídrica rápido o suficiente para melhorar frequência e esforço respiratórios; no tratamento crônico, o alvo é manter o paciente compensado com a menor dose eficaz.
Contraindicações
As contraindicações práticas mais consistentes nas fontes consultadas são desidratação, anúria e estados de hipovolemia ou depleção eletrolítica importantes. Em gatos com congestão, edema ou efusão clinicamente evidentes, fluidoterapia intravenosa pode agravar a ICC mesmo se diuréticos forem administrados ao mesmo tempo; por isso, deve ser evitada salvo indicação muito bem justificada e com monitorização intensiva.
Também é preciso cautela quando houver azotemia prévia. Azotemia não impede obrigatoriamente o uso em descompensação aguda, mas exige justificativa clínica clara, correlação com o estado congestivo e seguimento laboratorial próximo após início ou aumento da dose.
Efeitos adversos
Os efeitos adversos mais esperados são consequência da própria diurese: desidratação, hipovolemia e distúrbios eletrolíticos, principalmente hipocalemia, hiponatremia e hipocloremia. Em cardiopatas, esses efeitos podem aparecer após introdução, intensificação da dose ou associação com outros diuréticos e bloqueadores do sistema renina-angiotensina-aldosterona.
A piora de parâmetros renais é relativamente comum no acompanhamento e deve ser interpretada no contexto clínico. O monitoramento de creatinina, ureia e eletrólitos é recomendado poucos dias após iniciar ou ajustar o tratamento em gatos, e 12–48 horas após aumentos de dose em cães com ICC conforme o consenso de doença valvar.
Ototoxicidade é incomum, mas relevante, sobretudo com doses excessivas, administração IV muito rápida e associação com fármacos ototóxicos. Em uso subcutâneo, há relato de reação dermatológica local em felino; portanto, essa via não deve ser tratada como equivalente rotineira à via oral sem vigilância de tolerabilidade cutânea.
Interações medicamentosas
A interação mais importante na rotina é com aminoglicosídeos e outros fármacos ototóxicos, pela potencialização de ototoxicidade e nefrotoxicidade. Em gatos, fontes regulatórias veterinárias consultadas recomendam não associar furosemida a antibióticos ototóxicos.
AINEs podem reduzir a resposta diurética e ainda ampliar risco renal em pacientes hipovolêmicos ou com reserva renal limitada. Em pacientes cardiopatas desidratados ou azotêmicos, essa combinação merece revisão crítica da necessidade analgésica e do estado volêmico.
A associação com inibidores da ECA é comum na cardiologia de pequenos animais e pode ser útil, mas aumenta a chance de hipotensão, azotemia e alterações eletrolíticas se o paciente estiver excessivamente diurético. Corticosteroides e outros fármacos que alteram eletrólitos também podem acentuar depleção de potássio.
Observações clínicas
Em cães com edema pulmonar cardiogênico agudo, o consenso ACVIM para doença valvar recomenda 2 mg/kg IV ou IM, repetindo a cada 60 minutos até melhora respiratória substancial ou dose total de 8 mg/kg em 4 horas. Em quadros com risco de vida e resposta insatisfatória ao bolus inicial, pode-se usar infusão contínua IV de 0,66–1 mg/kg/h.
Em gatos com ICC aguda, o consenso ACVIM recomenda furosemida IV em bolus múltiplos de 1–2 mg/kg ou por infusão contínua. Para tratamento crônico em casa, a faixa relatada é de 0,5–2 mg/kg VO a cada 8–12 h; em muitos pacientes, o ponto de partida é 1–2 mg/kg VO a cada 12 h.
Se o objetivo for manejo de refratariedade fora do hospital, a via subcutânea pode ser considerada apenas quando a via oral não sustenta compensação adequada ou a adesão é problemática. Na série retrospectiva encontrada, a dose mediana foi 5,5 mg/kg/dia em cães e 4 mg/kg/dia em gatos, divididas em duas aplicações diárias. Como os dados são limitados e há risco de reação cutânea local, a decisão deve ser individualizada.
Em qualquer espécie, use a menor dose eficaz, reavalie hidratação, peso, frequência respiratória em repouso, função renal e eletrólitos após início ou escalonamento, e ajuste a frequência antes de simplesmente empilhar dose diária total quando a congestão recrudesce.
Fontes
- — ACVIM consensus guidelines for the diagnosis and treatment of myxomatous mitral valve disease in dogs, Journal of Veterinary Internal Medicine / Oxford Academic
- — ACVIM consensus statement guidelines for the classification, diagnosis, and management of cardiomyopathies in cats, Journal of Veterinary Internal Medicine / PubMed Central
- — Subcutaneous Furosemide Therapy for Chronic Management of Refractory Congestive Heart Failure in Dogs and Cats, Frontiers in Veterinary Science / PubMed Central
- — Ototoxicity in dogs and cats, Canadian Veterinary Journal / PubMed Central
- — Medicamentos Genéricos Registrados Por ordem alfab, Anvisa
- — Relação Nacional de Medicamentos Essenciais, Ministério da Saúde
- — Revised: May 2024, Veterinary Medicines Directorate (UK)
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