Bulário

Fembendazol

Nomes comerciais:Fenzol Pet, Vermican

Anti-helmíntico benzimidazólico de amplo espectro usado em cães e gatos, principalmente contra nematódeos gastrointestinais e Giardia spp. Em felinos, a base clínica é mais limitada e várias utilizações são extra-bula.

Posologia

Cães

Via Dose Frequência Indicação
VO 50 mg/kg a cada 24 horas3 dias consecutivos Verminose gastrintestinal e giardíase Pode ser administrado junto ao alimento. No Fenzol Pet equivale a 1 comprimido de 500 mg para cada 10 kg; no Vermican, a 1 mL da suspensão a 10% para cada 2 kg.

Gatos

Via Dose Frequência Indicação
VO 50 mg/kg a cada 24 horas3 dias consecutivos Verminose gastrintestinal e giardíase A bula do Fenzol Pet cobre apenas cães; a do Vermican inclui gatos. Pode ser dado com alimento.

Fontes das doses: Bulas Fenzol Pet (União Química) e Vermican (Lavizoo) · Bula Vermican (Lavizoo)

Calculadora de dose por peso

Confira sempre a bula do produto e o peso aferido. O cálculo apenas multiplica a dose publicada nesta página pelo peso informado — a decisão clínica é do médico-veterinário.

Apresentações no Brasil

Duas apresentações veterinárias registradas, ambas orais e ambas vendidas sob prescrição:

  • Fenzol Pet (União Química), comprimidos palatáveis e bissulcados de 500 mg, blíster com 6. Um comprimido para cada 10 kg. Registro MAPA nº 7.918. A bula cobre cães.
  • Vermican (Lavizoo), suspensão oral a 10% (100 mg/mL). Um mililitro para cada 2 kg. A bula cobre cães e gatos.

As duas entregam a mesma dose de 50 mg/kg por caminhos diferentes — o comprimido é mais prático no cão grande, a suspensão permite ajuste fino no filhote e no gato. Conservar entre 15 °C e 30 °C, ao abrigo da luz solar direta.

Lavizoo

União Química Farmacêutica Nacional S/A

  • Fenzol Pet 500 mg 500 mg/comprimido · Comprimidos palatáveis e bissulcados de 500 mg, blíster com 6 em cartucho Receita simples Cães Registro MAPA MAPA 7.918

Lista mantida manualmente e não exaustiva. Confirme sempre a apresentação e a concentração na embalagem e na bula do produto que tiver em mãos.

Indicações

O fembendazol é um anti-helmíntico benzimidazólico usado em pequenos animais principalmente contra parasitas intestinais. Em cães, há suporte para uso contra nematódeos gastrointestinais, incluindo ascarídeos e ancilostomídeos, e também para giardíase. Em gatos, o uso contra Giardia spp. é descrito, mas a base de evidência é mais limitada do que em cães.

Para giardíase canina, há recomendação baseada em diretriz parasitológica para 50 mg/kg por via oral, 1x ao dia, por 3 a 5 dias. Em felinos, a mesma dose de 50 mg/kg por via oral, 1x ao dia, por 5 dias é citada como opção terapêutica, com a ressalva explícita de que os dados em gatos são limitados.

Em cadelas gestantes, o fembendazol também aparece em diretriz como opção extra-bula em esquema diário do 40º dia de gestação até o 14º dia de lactação para reduzir a transmissão lactogênica de larvas de ancilostomídeos aos filhotes. Como a diretriz consultada não traz a dose nesse trecho, este uso deve ser entendido como referência de indicação e não como base para cálculo posológico nesta monografia.

Mecanismo de ação

Como outros benzimidazólicos, o fembendazol se liga à beta-tubulina do parasita e interfere na montagem e estabilidade dos microtúbulos. Esse efeito compromete processos celulares indispensáveis à sobrevivência do helminto e explica sua ação anti-helmíntica de amplo espectro.

Do ponto de vista prático, esse mecanismo também ajuda a entender por que o fembendazol não deve ser encarado como fármaco “inócuo” só por ser amplamente utilizado: prolongamentos indevidos de tratamento ou usos empíricos fora de indicação exigem critério clínico.

Contraindicações

A contraindicação mais consistente é hipersensibilidade conhecida ao princípio ativo ou a outros benzimidazólicos. Além disso, esta não é uma molécula para uso prolongado sem justificativa e sem monitorização: a agência regulatória norte-americana publicou alerta sobre casos de hipoplasia medular e pancitopenia em cães associados a uso extra-bula por tempo maior que o previsto em bula.

Em felinos, o ponto principal não é uma contraindicação absoluta de espécie, e sim a limitação da evidência. Quando a indicação for giardíase, é razoável explicitar no prontuário que a literatura disponível para gatos é menos robusta do que para cães.

Efeitos adversos

O perfil de tolerabilidade costuma ser bom. Quando ocorrem reações adversas, predominam sinais gastrointestinais leves, especialmente vômito e diarreia.

Há um estudo de segurança em gatos saudáveis mostrando ausência de alterações clínicas agudas ou subagudas relevantes mesmo com administração experimental acima da dose e da duração aprovadas para cães. Isso não autoriza extrapolar para esquemas prolongados em pacientes doentes, mas sugere margem de segurança relativamente ampla em felinos sadios no curto prazo.

O evento adverso de maior importância clínica é a supressão medular relatada em cães sob uso extra-bula prolongado. Se houver prostração, palidez, febre, petéquias ou infecções recorrentes após tratamento fora do esquema usual, vale considerar hemograma imediato.

Interações medicamentosas

A literatura acessada traz poucos dados objetivos sobre interações medicamentosas clinicamente estabelecidas em cães e gatos. Ainda assim, há fundamento mecanístico para cautela quando o fembendazol é usado em pacientes que recebem fármacos com ação sobre microtúbulos, como alguns antineoplásicos, porque o alvo celular é relacionado.

Na rotina, a interação de maior relevância prática não é uma combinação específica formalmente documentada, mas o contexto terapêutico: uso concomitante com outros agentes potencialmente mielotóxicos ou em pacientes com medula óssea já comprometida merece reavaliação do risco-benefício e, se necessário, monitorização hematológica.

Observações clínicas

A dose é a mesma para as duas espécies e nas duas apresentações: 50 mg/kg, uma vez ao dia, por 3 dias consecutivos, podendo ser dada junto ao alimento. O esquema de três dias não é sugestão — é o que as bulas fixam, e encurtá-lo é a causa mais comum de falha aparente.

Na giardíase, o tratamento farmacológico sozinho não resolve. A bula é explícita quanto ao manejo: água tratada, limpeza diária dos bebedouros, recolhimento imediato das fezes e, quando necessário, desinfecção ambiental com amônia quaternária. Banho do animal reduz a reinfecção pelos cistos aderidos ao pelo. Sem isso, o cão se reinfecta e o tratamento parece ter falhado.

Não superestime a eficácia. Embora o fembendazol seja opção reconhecida para giardíase canina, estudos não mostram resposta uniforme, e há relatos de falha terapêutica em parte dos cães naturalmente infectados. Persistência de sinais clínicos ou de exame positivo pede reavaliação diagnóstica, não repetição automática do curso.

A margem de segurança é ampla: nas doses terapêuticas a bula do Fenzol Pet declara não haver contraindicações, permite uso em fêmeas prenhes e lactantes e não descreve efeito sobre parâmetros reprodutivos em cães. Isso distingue o fembendazol de boa parte dos anti-helmínticos e o torna escolha útil quando a gestação é uma restrição.

Vale lembrar que vários dos parasitas cobertos — Ancylostoma, Toxocara e a própria Giardia — têm potencial zoonótico. O controle ambiental que a bula pede protege também a família.

Fontes

Página de referência pesquisada e escrita com inteligência artificial a partir de fontes públicas, e revisada automaticamente antes da publicação. Não substitui a bula do produto nem o julgamento clínico do médico-veterinário.

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