Bulário

Dipirona sódica

Analgésico não opioide e antipirético derivado pirazolônico, usado em cães e, com cautela maior, em gatos para dor aguda e estados febris. Em felinos, os dados são mais limitados e a monitorização é mais importante.

Posologia

Cães

Via Dose Frequência Indicação
IV IM VO 25 mg/kg a cada 8, 12 ou 24 horas Analgesia e antipirese em quadros álgicos agudos ou crônicos e estados febris IV Dose de bula brasileira, idêntica para cães e gatos (25 mg/kg; 1 gota por kg na apresentação em gotas). Estudo de segurança do fabricante avaliou 25 mg/kg a cada 12 h por 28 dias consecutivos em cães e gatos. Em tratamentos prolongados pode induzir agranulocitose e leucopenia — monitorar hemograma; a ocorrência é imprevisível e não depende da dose. Aplicar lentamente pela via IV. IM Dose de bula brasileira, idêntica para cães e gatos (25 mg/kg; 1 gota por kg na apresentação em gotas). Estudo de segurança do fabricante avaliou 25 mg/kg a cada 12 h por 28 dias consecutivos em cães e gatos. Em tratamentos prolongados pode induzir agranulocitose e leucopenia — monitorar hemograma; a ocorrência é imprevisível e não depende da dose. VO Dose de bula brasileira, idêntica para cães e gatos (25 mg/kg; 1 gota por kg na apresentação em gotas). Estudo de segurança do fabricante avaliou 25 mg/kg a cada 12 h por 28 dias consecutivos em cães e gatos. Em tratamentos prolongados pode induzir agranulocitose e leucopenia — monitorar hemograma; a ocorrência é imprevisível e não depende da dose.

Gatos

Via Dose Frequência Indicação
IV IM VO 25 mg/kg a cada 8, 12 ou 24 horas Analgesia e antipirese em quadros álgicos agudos ou crônicos e estados febris IV Dose de bula brasileira, idêntica para cães e gatos (25 mg/kg; 1 gota por kg na apresentação em gotas). Estudo de segurança do fabricante avaliou 25 mg/kg a cada 12 h por 28 dias consecutivos em cães e gatos. Em tratamentos prolongados pode induzir agranulocitose e leucopenia — monitorar hemograma; a ocorrência é imprevisível e não depende da dose. Aplicar lentamente pela via IV. IM Dose de bula brasileira, idêntica para cães e gatos (25 mg/kg; 1 gota por kg na apresentação em gotas). Estudo de segurança do fabricante avaliou 25 mg/kg a cada 12 h por 28 dias consecutivos em cães e gatos. Em tratamentos prolongados pode induzir agranulocitose e leucopenia — monitorar hemograma; a ocorrência é imprevisível e não depende da dose. VO Dose de bula brasileira, idêntica para cães e gatos (25 mg/kg; 1 gota por kg na apresentação em gotas). Estudo de segurança do fabricante avaliou 25 mg/kg a cada 12 h por 28 dias consecutivos em cães e gatos. Em tratamentos prolongados pode induzir agranulocitose e leucopenia — monitorar hemograma; a ocorrência é imprevisível e não depende da dose.

Apresentações no Brasil

No Brasil, a apresentação veterinária primária localizada foi solução injetável 500 mg/mL. Além dela, existem várias apresentações humanas registradas na Anvisa, incluindo comprimidos, solução oral/gotas e formulações injetáveis, que o clínico frequentemente encontra na rotina.

Para cálculo de dose, confirme sempre a concentração exata do produto escolhido antes de prescrever ou administrar, porque a dipirona humana existe em mais de uma forma farmacêutica e concentração.

Laboratório Bio-Vet Ltda. (Biovet)

  • Dipirona Gotas Dipirona Sódica 50 g / 100 mL · Frasco plástico com conta-gotas, 20 mL Cães e Gatos Registro MAPA 7.951 (MAPA, 26/09/01)

Vetnil

  • Algivet® Pet Dipirona Sódica 0,5 g / mL · Frasco ampola de 50 mL Cães e Gatos

Lista mantida manualmente e não exaustiva. Confirme sempre a apresentação e a concentração na embalagem e na bula do produto que tiver em mãos.

Indicações

A dipirona sódica é um analgésico não opioide e antipirético derivado pirazolônico. Em pequenos animais, o melhor suporte encontrado foi para dor aguda perioperatória e pós-operatória, especialmente em ovário-histerectomia de cadelas e gatas. Em cães, também há uso clínico para dor visceral, musculoesquelética e estados febris, além de emprego como componente de analgesia multimodal.

Nos estudos consultados, em cadelas submetidas à ovário-histerectomia a dipirona 25 mg/kg IV reduziu dor pós-operatória e hiperalgesia em comparação ao placebo. Em gatos saudáveis submetidos ao mesmo procedimento, esquemas de 25 mg/kg IV a cada 24 h por 3 dias e 12,5 mg/kg IV a cada 12 h por 3 dias forneceram analgesia pós-operatória com eficácia semelhante à de meloxicam em um estudo específico. Mais recentemente, também foi localizado estudo felino com 12,5 mg/kg VO a cada 12 h por 5 dias no pós-operatório.

Mecanismo de ação

A dipirona não deve ser classificada como AINE clássico nesta monografia. A literatura consultada a descreve como derivado pirazolônico com efeito analgésico e antipirético, dependente de metabólitos ativos formados rapidamente após a administração.

O mecanismo exato continua incompletamente esclarecido. As fontes revisadas descrevem ação predominantemente central, com participação de inibição de vias de cicloxigenase no sistema nervoso central; uma revisão veterinária também cita abertura de canais KATP neuronais e ativação de receptores CB1 como parte do efeito analgésico periférico. Na prática clínica, isso ajuda a explicar por que a dipirona costuma ser usada como adjuvante analgésico e antipirético, e não como substituto automático dos AINEs seletivos em todas as situações.

Contraindicações

Evite o uso em pacientes com hipersensibilidade conhecida à dipirona ou a outras pirazolonas/pirazolidinas, bem como em animais com suspeita de reação hematológica prévia relacionada ao fármaco. Em caso de suspeita de agranulocitose ou outra discrasia sanguínea associada, a reexposição não é recomendada.

Em gatos, a cautela deve ser maior. Diretrizes internacionais felinas e estudos específicos mostram que a dipirona pode ser usada, mas com ressalvas importantes. Para a prática, faz mais sentido tratá-la como opção de segunda ou terceira linha em felinos, sobretudo porque a espécie é mais sensível a lesão oxidativa eritrocitária e porque os dados de segurança de uso repetido ainda são limitados. Se o uso em gatos ultrapassar 3 dias, é prudente monitorar hemograma.

A bula veterinária brasileira consultada ainda orienta doses moderadas em animais muito velhos ou gravemente enfermos. Isso não define uma contraindicação absoluta, mas reforça a necessidade de individualizar o esquema e reavaliar diariamente a resposta.

Efeitos adversos

O efeito adverso mais consistentemente encontrado em cães foi vômito, especialmente em estudos perioperatórios e em revisões veterinárias. Em gatos, sialorreia foi descrita com formulações orais, além de episódios de vômito em estudos farmacocinéticos.

Nos trabalhos experimentais com uso curto em animais saudáveis, não foram demonstradas alterações bioquímicas importantes nem dano oxidativo eritrocitário clinicamente relevante; porém foram observadas pequenas diferenças hematológicas entre grupos. Isso não elimina risco em pacientes doentes, desidratados, anêmicos ou em tratamentos mais longos.

Agranulocitose é evento raro, mas bem documentado na literatura humana sobre metamizol/dipirona. Como não localizei boa estimativa veterinária para cães e gatos, o mais seguro é registrar esse evento como risco idiossincrático relevante, principalmente quando o tratamento é mantido por vários dias.

Interações medicamentosas

A dipirona pode integrar protocolos multimodais e ter efeito poupador de outros analgésicos; há estudos em cães e gatos combinando-a com tramadol.

Quanto a interações farmacológicas clássicas, é importante separar o que foi demonstrado em veterinária do que foi extrapolado da literatura humana. Localizei revisão farmacológica humana recente descrevendo indução de CYP3A4, CYP2B6 e CYP2C19, inibição moderada de CYP1A2 e interferência no efeito antiplaquetário do ácido acetilsalicílico. Também são citadas interações com metotrexato, ciclosporina e clorpromazina em fontes humanas. Não localizei confirmação dessas interações em estudos clínicos veterinários em cães ou gatos; portanto, elas devem ser tratadas como alerta clínico e motivo para vigilância, não como contraindicação absoluta.

Observações clínicas

Em cães, a melhor sustentação encontrada para uso rotineiro foi em torno de 25 mg/kg, inclusive por via IV em contexto perioperatório. Embora uma meta-análise resuma uso clínico de 25–50 mg/kg VO a cada 8–12 h, a própria revisão destaca 25 mg/kg como a dose com melhor suporte de segurança; por isso, faixas superiores exigem mais critério, especialmente em pacientes frágeis.

Em gatos, os dados são mais limitados. Os regimes com melhor lastro na literatura consultada foram 25 mg/kg IV a cada 24 h por 3 dias, 12,5 mg/kg IV a cada 12 h por 3 dias e 12,5 mg/kg VO a cada 12 h por 5 dias em contexto pós-operatório. Mesmo assim, a espécie merece observação mais estreita para hipersalivação, vômito e alterações hematológicas se o tratamento se prolongar.

A dipirona não deve ser usada como justificativa para dispensar analgesia multimodal quando esta é indicada. Em dor cirúrgica moderada a intensa, ela funciona melhor como componente de protocolo combinado do que como única intervenção analgésica.

Fontes

Página de referência pesquisada e escrita com inteligência artificial a partir de fontes públicas, e revisada automaticamente antes da publicação. Não substitui a bula do produto nem o julgamento clínico do médico-veterinário.

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