Bulário

Clindamicina

Nomes comerciais:Clinbacter, Oralguard, Dalacin

Antimicrobiano lincosamida ativo contra muitos cocos Gram-positivos e anaeróbios. Em cães e gatos, é usado principalmente em infecções de pele e tecidos moles, abscessos, infecções dentárias e, em cães, osteomielite.

Posologia

Cães

Via Dose Frequência Indicação
VO IM 11 mg/kg a cada 12 horas7 a 14 dias, conforme a resposta Infecções bacterianas VO Dar o comprimido seguido de água ou alimento: as bulas veterinárias relatam esofagite e estenose esofágica. Reavaliar se não houver melhora em 3 a 4 dias. IM Via injetável, com a apresentação humana de 150 mg/mL. Inspecionar a solução antes de aplicar.
VO 10 a 20 mg/kg a cada 12 horas2 a 4 semanas Toxoplasmose Tratamento prolongado; acima de 30 dias, monitorar função renal, hepática e hemograma.

Gatos

Via Dose Frequência Indicação
VO IM 5,5 mg/kg a cada 24 horasaté 14 dias Infecções bacterianas VO Dar seguido de água ou alimento: o risco de esofagite e estenose é maior em gatos. Hipersalivação após a dose é comum. IM Via injetável, com a apresentação humana de 150 mg/mL. Inspecionar a solução antes de aplicar.
VO 12,5 a 25 mg/kg a cada 24 horas2 a 4 semanas Toxoplasmose Tratamento prolongado; acima de 30 dias, monitorar função renal, hepática e hemograma.

Fontes das doses: Bulário de referência veterinária; bulas nacionais nas observações

Calculadora de dose por peso

Confira sempre a bula do produto e o peso aferido. O cálculo apenas multiplica a dose publicada nesta página pelo peso informado — a decisão clínica é do médico-veterinário.

Apresentações no Brasil

Há clindamicina veterinária registrada no Brasil, em comprimido: Oralguard (CEPAV) nas concentrações de 50 mg e 150 mg, e Clinbacter (União Química) nas de 75 mg, 150 mg e 300 mg. Ambos são vendidos sob prescrição do médico-veterinário e conservados entre 15 °C e 30 °C, ao abrigo da luz e da umidade, na embalagem original.

Também se recorre a apresentações humanas, sobretudo a cápsula de 300 mg de cloridrato de clindamicina, incluindo a marca Dalacin, e a solução injetável de fosfato de clindamicina a 150 mg/mL. São uso fora de bula em pequenos animais, sob responsabilidade do prescritor: não há apresentação injetável veterinária registrada, e a tabela de doses acima cobre apenas a via oral.

A lista completa, uma linha por apresentação, está no bloco de apresentações acima.

Cepav Pharma Ltda.

  • Oralguard 150 mg 150 mg/comprimido · Comprimidos de 150 mg de clindamicina, em cartuchos com blister de 7, 14, 21 ou 28 comprimidos Receita de antimicrobiano (retida) Cães Registro MAPA MAPA 7.911
  • Oralguard 50 mg 50 mg/comprimido · Comprimidos de 50 mg de clindamicina, em cartuchos com blister de 7, 14, 21 ou 28 comprimidos Receita de antimicrobiano (retida) Cães e Gatos Registro MAPA MAPA 8.326

Genérico (diversos fabricantes)

Laboratórios Pfizer Ltda.

Lista mantida manualmente e não exaustiva. Confirme sempre a apresentação e a concentração na embalagem e na bula do produto que tiver em mãos.

Indicações

A clindamicina é uma lincosamida com atividade particularmente útil contra muitos cocos Gram-positivos e anaeróbios. Nas referências veterinárias consultadas, as indicações rotuladas em pequenos animais concentram-se em infecções de pele e tecidos moles, abscessos e infecções dentárias em cães e gatos. Em cães, há ainda indicação formal para osteomielite por microrganismos suscetíveis.

Na prática, isso a torna uma opção relevante quando o quadro sugere participação de anaeróbios, como abscessos, feridas profundas e doença odontogênica. Em piodermite canina, diretrizes da AAHA citam clindamicina como antimicrobiano sistêmico de primeira linha, mas a decisão empírica deve respeitar citologia, profundidade da lesão, histórico de antibióticos e, quando indicado, cultura e teste de suscetibilidade.

Para odontologia, as diretrizes da AAHA lembram que antibióticos sistêmicos não são necessários na maioria das profilaxias dentárias de rotina nem após extrações simples. O uso é mais justificável quando há infecção estabelecida, osteomielite, doença periodontal avançada com tecido infectado ou fatores sistêmicos que aumentem risco de complicações.

Mecanismo de ação

A clindamicina inibe a síntese proteica bacteriana ao se ligar à subunidade 50S do ribossomo, na região do centro peptidil-transferase, interferindo na acomodação adequada do tRNA e na formação da ligação peptídica. Em geral, o efeito clínico é bacteriostático, embora possa ser bactericida contra alguns isolados em determinadas concentrações.

Do ponto de vista de resistência, o ponto prático é que há sobreposição funcional com macrolídeos e possibilidade de resistência cruzada mediada, por exemplo, por metilação do 23S rRNA. Por isso, o resultado do antibiograma deve prevalecer quando disponível, sobretudo em infecções recorrentes, profundas ou previamente expostas a antibióticos.

Contraindicações

A contraindicação absoluta encontrada nas bulas veterinárias consultadas é histórico de hipersensibilidade à clindamicina ou à lincomicina. Também não deve ser administrada a coelhos, hamsters, cobaias, equinos, chinchilas ou ruminantes, porque a alteração da microbiota intestinal pode causar efeitos gastrintestinais graves.

Em cães e gatos com doença hepática ou renal muito grave, a recomendação oficial é usar com cautela; em terapias de dose alta, considerar monitoramento clínico e, se o tratamento for prolongado, acompanhamento laboratorial. As referências consultadas também informam que a segurança não foi estabelecida para fêmeas gestantes nem para reprodutores.

Em felinos, os dados de segurança indicam maior propensão a sinais gastrintestinais e disbiose. Assim, em gatos com histórico de colite, doença inflamatória intestinal ou disbiose importante, é prudente tratar essa condição como contraindicação relativa e considerar alternativa quando o risco de colite associada a Clostridioides difficile for elevado. Os dados específicos em felinos são limitados fora das indicações rotuladas.

Efeitos adversos

Os efeitos adversos mais esperados são vômito, diarreia e fezes amolecidas. Em gatos, um ensaio experimental mostrou ocorrência frequente de sinais gastrintestinais associados ao antibiótico e alterações de microbioma fecal que persistiram além do período de tratamento, o que reforça a necessidade de selecionar bem os casos.

Outra preocupação prática é o supercrescimento de organismos não suscetíveis, incluindo clostrídios e leveduras, especialmente em tratamentos prolongados ou quando a indicação inicial era fraca. Se houver piora da diarreia, tenesmo, sangue nas fezes ou deterioração clínica durante a terapia, a medicação deve ser reavaliada.

A recomendação de monitorização periódica de função hepática, função renal e hemograma em tratamentos de um mês ou mais aparece explicitamente na rotulagem veterinária do ANTIROBE/AQUADROPS. Fora desse contexto, a intensidade do acompanhamento pode ser individualizada conforme comorbidades, duração e dose.

Interações medicamentosas

A interação clínica mais consistente nas fontes consultadas é com bloqueadores neuromusculares: a clindamicina pode intensificar esse efeito, devendo ser usada com cautela em pacientes anestesiados, críticos ou recebendo fármacos dessa classe.

Também é importante reconhecer a resistência cruzada microbiológica com macrolídeos e lincomicina. Isso não é uma “interação” farmacocinética clássica, mas tem impacto direto na escolha terapêutica: exposição prévia a esses grupos pode reduzir a chance de sucesso empírico em infecções estafilocócicas e anaeróbias.

Observações clínicas

O receituário aqui é o de antimicrobiano, com retenção da receita na farmácia, e não o de controle especial. A clindamicina não consta nas listas da Portaria SVS/MS 344/1998 — a própria seção de controle desta página registra isso. Referências de mercado que trazem "controle especial" nesse campo estão descrevendo o enquadramento do produto de uso humano, não o instrumento que o médico-veterinário emite. Receita: a clindamicina é vendida sob receituário de controle especial. As apresentações humanas, que são a maior parte do que se prescreve na rotina, exigem a receita de controle especial em duas vias, retida na farmácia. Os produtos veterinários registrados (Clinbacter e Oralguard) trazem "venda sob prescrição do médico-veterinário" na própria bula — mais simples que o receituário humano, e a página do produto mostra isso.

A tabela é faixa de uso clínico e diverge das bulas veterinárias nacionais. Vale conhecer as duas, porque o veterinário costuma ter a caixa na mão:

  • Oralguard, em cães, traz 5 mg/kg a cada 12 horas para infecções dentárias, feridas e abscessos, e 10 mg/kg a cada 12 horas para osteomielite. Em gatos, 10 a 20 mg/kg a cada 24 horas.
  • Clinbacter traz 10 mg/kg a cada 12 horas, para cães e gatos.

Ou seja: em cães a tabela fica um pouco acima do piso das bulas, e em gatos a dose de 5,5 mg/kg fica abaixo do que as bulas nacionais descrevem. Prescrever fora da bula pode ser a decisão certa, mas é decisão clínica que precisa estar justificada no prontuário, ainda mais tratando-se de antimicrobiano.

A toxoplasmose pede tratamento longo: 2 a 4 semanas, e ela não consta das bulas veterinárias brasileiras, que cobrem infecções dentárias, feridas, abscessos e osteomielite. As doses de toxoplasmose vêm da literatura e são, por definição, extrabula. Acima de 30 dias de tratamento, monitore função renal, função hepática e hemograma.

A via intramuscular usa a apresentação humana de 150 mg/mL. As bulas veterinárias brasileiras só descrevem a via oral, então o injetável é uso fora de bula. Inspecione a solução visualmente antes de aplicar, procurando alteração de cor ou partículas.

Esofagite e estenose de esôfago são o risco mais concreto e mais evitável desta molécula: as duas bulas veterinárias relatam lesão esofágica em cães e gatos e orientam que a ingestão do comprimido seja seguida de água ou de alimento. Em gatos isso não é detalhe — é a diferença entre um tratamento comum e uma estenose que exige dilatação.

Se não houver melhora clínica em 3 a 4 dias numa infecção aguda, a orientação de bula é suspender e reavaliar o diagnóstico, não insistir.

A clindamicina tem atividade bloqueadora neuromuscular intrínseca e potencializa bloqueadores como o pancurônio. É antagonista da eritromicina e dos macrolídeos, apresenta resistência cruzada com a lincomicina, e pode reduzir níveis séricos de ciclosporina. Em doença renal ou hepática grave, usar com cautela.

Lincosamidas são contraindicadas em roedores, lagomorfos, ruminantes e equinos — coelhos, hamsters, porquinhos-da-índia e chinchilas inclusive — pelo risco de enterotoxemia fatal.

Fontes

Página de referência pesquisada e escrita com inteligência artificial a partir de fontes públicas, e revisada automaticamente antes da publicação. Não substitui a bula do produto nem o julgamento clínico do médico-veterinário.

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