Bulário
Cetamina
Anestésico dissociativo e adjuvante analgésico antagonista de receptores NMDA, usado em cães e gatos para contenção química, indução anestésica e protocolos multimodais de analgesia.
Posologia
Cães
| Via | Dose | Frequência | Indicação |
|---|---|---|---|
| 10 a 15 mg/kg | dose única | indução anestésica/contenção química em protocolo injetável Usar em associação com sedativos/tranquilizantes e, idealmente, analgésicos; a cetamina isolada pode causar recuperação excitada e relaxamento muscular inadequado. | |
| 2 a 5 mg/kg | dose única | indução anestésica Administrar titulando ao efeito; doses menores podem ser suficientes após pré-medicação. |
Gatos
| Via | Dose | Frequência | Indicação |
|---|---|---|---|
| 10 a 15 mg/kg | dose única | indução anestésica/contenção química em protocolo injetável Em gatos mais reativos podem ser necessários ajustes dentro da faixa segundo o protocolo e a contenção; associar a sedativos/tranquilizantes. | |
| 2 a 5 mg/kg | dose única | indução anestésica Administrar titulando ao efeito; doses menores podem ser suficientes após pré-medicação. |
Calculadora de doses
Confira sempre a bula do produto e o peso aferido. O cálculo apenas multiplica a dose publicada nesta página pelo peso informado — a decisão clínica é do médico-veterinário.
Produto controlado. Lista B1. Substância sujeita a controle especial no Brasil. A Anvisa indica a cetamina na Lista B1; produtos contendo isômeros não listados nominalmente e registrados na Anvisa podem seguir exceções específicas da norma.
Apresentações no Brasil
No Brasil, a cetamina está disponível como solução injetável. Em consulta pública da Anvisa sobre anestésicos registrados, há apresentação injetável de dextrocetamina a 50 mg/mL. A disponibilidade comercial exata pode variar ao longo do tempo conforme registros vigentes.
Indicações
A cetamina é um anestésico dissociativo de uso parenteral empregado em cães e gatos principalmente para contenção química, indução anestésica e como componente de protocolos balanceados de analgesia e anestesia. Em pequenos animais, o uso isolado é pouco desejável para procedimentos cirúrgicos, porque o relaxamento muscular é insuficiente e a qualidade de recuperação tende a ser inferior quando comparada a protocolos combinados.
Na prática, ela é mais útil quando associada a benzodiazepínicos, agonistas alfa-2, fenotiazínicos e/ou opioides. Esse desenho de protocolo melhora contenção, relaxamento muscular, qualidade de indução e recuperação, além de reduzir a dose de outros anestésicos. Em analgesia perioperatória, a cetamina também é usada como adjuvante para limitar sensibilização central e hiperalgesia, com melhor racional em esquemas multimodais do que como analgésico único.
Mecanismo de ação
A principal ação farmacológica da cetamina é o antagonismo não competitivo dos receptores N-metil-D-aspartato (NMDA). Esse efeito ajuda a modular a transmissão nociceptiva e a reduzir fenômenos de sensibilização central, especialmente em contextos de estímulo doloroso intenso ou prolongado.
Além do efeito dissociativo, a cetamina tem ação poupadora de anestésicos e contribui para analgesia somática. Entretanto, sua cobertura analgésica é incompleta para dor cirúrgica, sobretudo visceral, motivo pelo qual a associação com opioides, anestésicos locais e outros agentes é a conduta mais consistente.
Contraindicações
A principal limitação clínica não é uma proibição absoluta para cães ou gatos, mas a inadequação do uso isolado em situações em que se espera plano anestésico estável, bom relaxamento muscular e analgesia cirúrgica completa. Em ambos os pacientes, o protocolo deve ser individualizado conforme condição cardiovascular, ocular e neurológica.
Em geriátricos, especialmente quando se consideram combinações intramusculares com agonistas alfa-2, recomenda-se maior cautela pela possibilidade de efeitos cardiovasculares mais marcados e indução prolongada com hipoxemia. Também é prudente evitar ou ponderar cuidadosamente o uso em pacientes nos quais aumento de frequência cardíaca, demanda miocárdica de oxigênio ou elevação da pressão intraocular possam agravar a doença de base.
Efeitos adversos
Os eventos indesejáveis mais relevantes incluem recuperação disfórica, vocalização, excitação e rigidez muscular, particularmente quando a cetamina é administrada sem um coindutor ou sem sedação adequada. Hipersalivação também pode ocorrer.
Do ponto de vista cardiorrespiratório, a resposta pode incluir taquicardia e alterações hemodinâmicas dependentes da dose, do estado do paciente e das drogas associadas. Depressão respiratória e apneia são mais preocupantes quando a administração IV é rápida ou quando o protocolo inclui outros depressores do sistema nervoso central.
Interações medicamentosas
As interações mais úteis clinicamente são intencionais: benzodiazepínicos melhoram relaxamento muscular e suavizam indução e recuperação; agonistas alfa-2 e opioides aumentam sedação e analgesia; e a combinação geral tende a reduzir a necessidade de anestésicos adicionais. Em protocolos intravenosos ou de anestesia balanceada, esse efeito poupador exige titulação cuidadosa para evitar profundidade anestésica excessiva.
Por outro lado, a associação com outros depressores do SNC pode intensificar sedação e depressão respiratória. Há também recomendação de evitar o uso indiscriminado de anticolinérgicos em combinações com agonistas alfa-2 e cetamina, porque pode ocorrer taquicardia prolongada.
Observações clínicas
Para a calculadora desta monografia, foram priorizadas as faixas de dose de indução e contenção mais consistentes entre fontes consultadas para cães e gatos: 10 a 15 mg/kg por via IM e 2 a 5 mg/kg por via IV, sempre como dose única e preferencialmente em associação com outros fármacos. Essas faixas atendem melhor ao uso clínico em pequenos animais do que uma faixa ampla única, porque refletem protocolos mais usuais de indução e evitam extrapolar doses sem contexto.
A cetamina não deve ser interpretada como analgésico cirúrgico completo quando usada sozinha. Em procedimentos dolorosos, vale combiná-la com opioides, bloqueios locorregionais e anestesia inalatória ou outros hipnóticos conforme o caso. Em felinos, a literatura reforça a utilidade do fármaco em contenção e anestesia, mas também destaca a necessidade de vigilância rigorosa de via aérea e recuperação.
Sempre que usada por via IV, a administração deve ser titulada ao efeito. Em cães e gatos pré-medicados, as menores doses dentro da faixa costumam ser suficientes. Em pacientes agressivos ou muito doloridos, a escolha do coindutor e o monitoramento durante recuperação influenciam mais a segurança do protocolo do que a cetamina isoladamente.
Fontes
- — 2022 WSAVA guidelines for the recognition, assessment and treatment of pain, Journal of Small Animal Practice / WSAVA
- — Guia Brasileiro de Produção, Manutenção ou Utilização de Animais em Atividades de Ensino ou Pesquisa Científica, CONCEA / Governo Federal
- — AAHA anesthesia guidelines for dogs and cats, PubMed / Journal of the American Animal Hospital Association
- — 2015 AAHA/AAFP Pain Management Guidelines for Dogs and Cats, PubMed Central
- — Partial intravenous anesthesia in cats and dogs, PubMed Central
- — Perioperative use of selective alpha-2 agonists and antagonists in small animals, PubMed Central
- — Lista de substâncias sujeitas a controle especial no Brasil, Anvisa
- — Veja os anestésicos e relaxantes musculares registrados, Anvisa
Página de referência pesquisada e escrita com inteligência artificial a partir de fontes públicas, e revisada automaticamente antes da publicação. Não substitui a bula do produto nem o julgamento clínico do médico-veterinário.