Bulário
Cefalexina
Nomes comerciais:Rilexine, Cefaseptin, Celesporin, PetSporin, Cefex, Falexyl, Lexin, Keflex
Cefalexina é uma cefalosporina de 1ª geração, bactericida e dependente do tempo. Em cães e gatos, é usada principalmente para piodermites e outras infecções cutâneas e de tecidos moles por bactérias suscetíveis.
Posologia
Cães
| Via | Dose | Frequência | Indicação |
|---|---|---|---|
| 10 a 30 mg/kg | a cada 8 ou 12 horas5 a 10 dias | Infecções bacterianas suscetíveis A duração varia com a gravidade: 5 a 10 dias no caso comum, mais em infecção grave. Piodermite profunda costuma exigir o limite superior da faixa e cursos longos. | |
| 20 a 50 mg/kg | a cada 8 ou 12 horas5 a 10 dias | Infecções bacterianas suscetíveis A duração varia com a gravidade: 5 a 10 dias no caso comum, mais em infecção grave. Piodermite profunda costuma exigir o limite superior da faixa e cursos longos. |
Gatos
| Via | Dose | Frequência | Indicação |
|---|---|---|---|
| 10 a 30 mg/kg | a cada 8 ou 12 horas5 a 10 dias | Infecções bacterianas suscetíveis A duração varia com a gravidade: 5 a 10 dias no caso comum, mais em infecção grave. Piodermite profunda costuma exigir o limite superior da faixa e cursos longos. | |
| 20 a 50 mg/kg | a cada 8 ou 12 horas5 a 10 dias | Infecções bacterianas suscetíveis A duração varia com a gravidade: 5 a 10 dias no caso comum, mais em infecção grave. Piodermite profunda costuma exigir o limite superior da faixa e cursos longos. |
Fontes das doses: Consolidado da referência de mercado veterinário brasileira (Spinosa, 2006) · Consolidado da referência de mercado veterinário brasileira (Lappin, 2010)
Calculadora de dose por peso
Confira sempre a bula do produto e o peso aferido. O cálculo apenas multiplica a dose publicada nesta página pelo peso informado — a decisão clínica é do médico-veterinário.
Apresentações no Brasil
A cefalexina tem produto veterinário registrado no Brasil e também é muito prescrita em apresentação humana.
Entre as marcas veterinárias estão Rilexine e Rilexine Palatável (Virbac), Cefaseptin (Vetoquinol), Celesporin (Ourofino), PetSporin, Cefex (Cepav), Falexyl (UCBVET) e Lexin (Duprat).
Em comprimido as concentrações vão de 75 mg a 600 mg, passando por 300 mg e 500 mg, e há solução a 250 mg/5 mL. Entre as apresentações humanas, a marca Keflex traz drágeas de 500 mg e de 1 g, líquido a 250 mg/5 mL e a 500 mg/5 mL, e gotas a 100 mg/mL.
A lista completa, uma linha por apresentação, está no bloco de apresentações acima.
Indicações
A cefalexina é uma cefalosporina de primeira geração, com atividade principal sobre bactérias gram-positivas, inclusive estafilococos produtores de penicilinase. É essa cobertura que a tornou o antibiótico padrão da pele em pequenos animais.
As indicações consagradas são infecções de pele e tecidos moles — piodermite, furunculose, foliculite —, infecções do trato urinário, do trato respiratório e otite. Também entra no peri-operatório, antes, durante e depois da cirurgia.
Na piodermite ela costuma ser a primeira escolha empírica justamente porque o Staphylococcus pseudintermedius, o agente mais comum, responde bem e raramente exige cultura de entrada.
Mecanismo de ação
Como outros beta-lactâmicos, a cefalexina interfere na síntese da parede celular bacteriana ao se ligar a proteínas ligadoras de penicilina. O efeito final é bactericida. Clinicamente, trata-se de um fármaco dependente do tempo, de modo que a manutenção de concentrações acima da MIC por parcela adequada do intervalo posológico é mais relevante do que picos séricos altos.
As fontes consultadas a posicionam principalmente contra cocos Gram-positivos e alguns Gram-negativos suscetíveis. Por isso, seu uso é mais lógico em infecções de pele e tecidos moles por agentes previsivelmente sensíveis do que em cenários em que há maior chance de resistência ou necessidade de cobertura ampliada.
Contraindicações
Contraindicada em pacientes com hipersensibilidade conhecida às cefalosporinas ou às penicilinas — a reatividade cruzada entre as duas classes é real.
Não usar em nefropatas graves.
O uso seguro durante a gestação não foi estabelecido, embora não existam relatos de problemas fetais relacionados; a avaliação de risco e benefício é do clínico.
Efeitos adversos
As cefalosporinas são geralmente seguras. O evento raro e relevante é a alergia, incluindo reação de hipersensibilidade cruzada às penicilinas.
Estão registrados vômito, salivação, taquipneia, diarreia, anorexia e excitabilidade.
Em tratamentos prolongados há relato de discrasias sanguíneas por mielotoxicidade, e a classe causa nefrotoxicidade quando usada por períodos longos.
Interações medicamentosas
A interação mais bem documentada é com probenecida, que reduz a excreção renal da cefalexina e eleva sua exposição sistêmica. Se a associação ocorrer, espere prolongamento da permanência do antibiótico no organismo.
Outra interação descrita é com metformina. A administração concomitante pode elevar a concentração plasmática da metformina por competição na secreção tubular renal. Em pacientes que usem esse antidiabético, faz sentido reforçar monitoramento clínico e metabólico.
A cefalexina também pode interferir com alguns testes químicos de glicose urinária, produzindo falso-positivo. Isso importa quando a interpretação laboratorial influencia a conduta clínica.
Observações clínicas
A referência de mercado publica duas faixas, e elas não se contradizem — cobrem gravidades diferentes. A mais conservadora, de 10 a 30 mg/kg, dá conta da infecção comum; a de 20 a 50 mg/kg é a usada em piodermite profunda e em infecção que já falhou com dose menor. Ambas valem para cães e gatos, por via oral, a cada 8 ou 12 horas.
A duração é onde o tratamento costuma falhar, não a dose: 5 a 10 dias resolvem o caso comum, e infecção grave pede mais. Piodermite profunda frequentemente exige semanas, e interromper quando a lesão some é o caminho conhecido para a recidiva.
O receituário aqui é o de antimicrobiano, com retenção da receita na farmácia, e não o de controle especial. A cefalexina não consta nas listas da Portaria SVS/MS 344/1998 — a própria seção de controle desta página registra isso. Referências de mercado que trazem "controle especial" nesse campo estão descrevendo o enquadramento do produto de uso humano, não o instrumento que o médico-veterinário emite.
O receituário aqui é o de antimicrobiano, com retenção da receita na farmácia, e não o de controle especial. A cefalexina não consta nas listas da Portaria SVS/MS 344/1998 — a própria seção de controle desta página registra isso. Referências de mercado que trazem "controle especial" nesse campo estão descrevendo o enquadramento do produto de uso humano, não o instrumento que o médico-veterinário emite. Para piodermite canina, a dose encontrada em diretriz aberta foi 22–30 mg/kg por via oral a cada 12 horas. A duração não deve ser automatizada sem reavaliação clínica, porque profundidade da infecção, resposta terapêutica e controle da causa de base alteram o tempo necessário. Em infecções recorrentes, recidiva sem investigação da doença predisponente costuma indicar falha de abordagem, não apenas de antimicrobiano.
As diretrizes de stewardship consultadas reforçam que o tratamento de infecções cutâneas deve idealmente ser sustentado por citologia, e cultura/antibiograma ganham importância em casos profundos, recorrentes, com exposição antimicrobiana prévia ou resposta ruim. Em cirurgia, uma fonte recente da WSAVA/ENOVAT cita cefalexina IV a 15 mg/kg 30 minutos antes da incisão, com redose a cada 3 horas se necessário; ainda assim, a mesma peça destaca cefazolina como primeira escolha mais consolidada para profilaxia de sítio cirúrgico, e não cefalexina.
Em gatos, a farmacocinética oral e parenteral foi descrita em estudo experimental antigo, mostrando absorção sistêmica, mas isso não substitui uma recomendação posológica clínica robusta. Como não localizei em fonte aberta prioritária uma dose clínica felina claramente recomendada para as indicações desta monografia, preferi não incluir posologia para a espécie. Quando a evidência local disponível for limitada, é melhor explicitar essa limitação do que extrapolar.
Fontes
- — WSAVA Essential Medicines List for Cats and Dogs (2023), WSAVA
- — Table 4: Antimicrobials for Skin Infections in Dogs, AAHA
- — 2022 AAFP/AAHA Antimicrobial Stewardship Guidelines, AAHA
- — Farmacopeia Brasileira, 6ª edição – Cefalexina pó para suspensão oral, Anvisa
- — Rotulagem Anvisa – Cefalexina pó para suspensão oral 50 mg/mL, Anvisa
- — Rotulagem Anvisa – cefalexina 500 mg comprimidos revestidos, Anvisa
- — Perioperative antibiotic prophylaxis poster, WSAVA / ENOVAT
- — Cephalexin Suspension: Prescribing Information, Drugs.com
- — Cephalexin: Prescribing Information, Drugs.com
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