Bulário

Acepromazina

Fenotiazínico sedativo/tranquilizante usado em cães e gatos para contenção química e como medicação pré-anestésica. Produz sedação sem analgesia e pode causar hipotensão dose-dependente.

Posologia

Cães

Via Dose Frequência Indicação
IV IM SC 0,02 a 0,05 mg/kg ajustada ao grau de sedação desejado Sedação ou medicação pré-anestésica A dose em mg/kg diminui à medida que aumenta o peso corporal. Início de ação: 3–5 min (IV) e 10–15 min (IM/SC); a sedação dura 1–2 h. Não fornece analgesia. Pela via IV, aplicar lentamente — injeção rápida pode causar hipotensão e colapso cardiovascular.
VO 0,02 a 0,05 mg/kg ajustada ao grau de sedação desejado Sedação A dose em mg/kg diminui à medida que aumenta o peso corporal. Início de ação: 3–5 min (IV) e 10–15 min (IM/SC); a sedação dura 1–2 h. Não fornece analgesia. A biodisponibilidade oral é baixa (cerca de 20%) e a resposta é menos previsível que pela via parenteral: titular ao efeito e aguardar o tempo de latência antes de redosar.

Gatos

Via Dose Frequência Indicação
IV IM SC 0,05 a 0,1 mg/kg ajustada ao grau de sedação desejado Sedação ou medicação pré-anestésica Gatos costumam exigir as doses mais altas da faixa para sedação comparável à do cão. A dose em mg/kg diminui à medida que aumenta o peso corporal. Não fornece analgesia. Pela via IV, aplicar lentamente — injeção rápida pode causar hipotensão e colapso cardiovascular.
VO 0,05 a 0,1 mg/kg ajustada ao grau de sedação desejado Sedação Gatos costumam exigir as doses mais altas da faixa para sedação comparável à do cão. A dose em mg/kg diminui à medida que aumenta o peso corporal. Não fornece analgesia. A biodisponibilidade oral é baixa (cerca de 20%) e a resposta é menos previsível que pela via parenteral: titular ao efeito e aguardar o tempo de latência antes de redosar.

Produto controlado. No Brasil, produtos veterinários com substâncias sujeitas a controle especial exigem emissão de notificação no SIPEAGRO/MAPA por médico-veterinário cadastrado.

Apresentações no Brasil

No mercado veterinário brasileiro, há registros e aquisições públicas documentadas de acepromazina como solução injetável e solução oral em gotas. Também existem apresentações em comprimidos em compêndios farmacológicos veterinários internacionais usados na prática clínica, embora a disponibilidade comercial possa variar conforme o registro vigente.

Syntec

  • Apromazin® 0,2% Injectável 0,2% · Frasco-ampola de 20 mL Cães
  • Apromazin® Gotas 1% · Frascos de 10 mL e 30 mL Cães e Gatos

Vetnil

  • Acepran® 0,2% 0,2% · Frasco-ampola de 20 mL Cães
  • Acepran® Gotas 1,0 g/100 mL · Frasco conta-gotas de 10 mL Cães e Gatos

Lista mantida manualmente e não exaustiva. Confirme sempre a apresentação e a concentração na embalagem e na bula do produto que tiver em mãos.

Indicações

A acepromazina é usada na rotina de pequenos animais como sedativo/tranquilizante para facilitar exame, manipulação, contenção, radiografias, tosa e outros procedimentos em que o objetivo principal é reduzir atividade motora e reatividade. Também é empregada como medicação pré-anestésica em cães e gatos, com frequência em associação a opioides, para melhorar contenção e reduzir a necessidade de outros fármacos de indução.

Na prática, ela faz mais sentido quando se busca sedação de intensidade leve a moderada. Não deve ser escolhida como fármaco único em procedimentos dolorosos, porque não tem efeito analgésico. Em animais cujo problema principal é medo, fobia ou agressividade, a literatura consultada não a considera uma boa opção como monoterapia comportamental, já que limita a resposta motora sem produzir ansiólise confiável.

Mecanismo de ação

A acepromazina é um derivado fenotiazínico. Seu efeito clínico decorre principalmente de depressão do sistema nervoso central por antagonismo dopaminérgico, associado a bloqueio alfa-1 adrenérgico periférico. Esse bloqueio vascular explica a vasodilatação e o risco de hipotensão, especialmente em pacientes hipovolêmicos, em choque ou sob anestesia geral.

O fármaco pode produzir relaxamento muscular e facilitar a manipulação, mas não substitui analgésicos. Em protocolos perioperatórios, a associação com opioides é comum justamente para somar sedação e analgesia.

Contraindicações

Evite acepromazina em pacientes com hipotensão, choque, hipovolemia ou qualquer instabilidade hemodinâmica importante. O risco cardiovascular é particularmente relevante porque a queda de pressão pode ocorrer mesmo com doses baixas e pode se acentuar durante anestesia inalatória.

Também não é uma boa escolha quando a queixa principal é ansiedade, medo intenso ou agressividade. Em gatos, diretrizes de manejo cat-friendly desaconselham seu uso para esse objetivo, pois a sedação não reduz adequadamente a percepção do estímulo aversivo e pode até aumentar combatividade em alguns indivíduos.

A literatura consultada também recomenda cautela importante em braquicefálicos, boxers e pacientes com histórico de epilepsia ou convulsões. Em fêmeas gestantes, fenotiazínicos são desaconselhados pelo risco de hipotensão materna e depressão fetal.

Efeitos adversos

O efeito adverso mais consistente é hipotensão. Estudos e revisões em cães e gatos associam a acepromazina a redução de pressão arterial, e em felinos submetidos à anestesia a associação com hipotensão perioperatória merece atenção especial. Sedação excessiva, ataxia e hipotermia também podem ocorrer.

Outro ponto prático é que a acepromazina pode alterar a interpretação de alguns achados laboratoriais e clínicos. Há redução do hematócrito por sequestro esplênico, e isso deve ser lembrado se o hemograma for colhido após a sedação. Pela ausência de analgesia, um animal aparentemente imóvel ainda pode estar percebendo estímulos dolorosos.

Interações medicamentosas

A acepromazina soma depressão do sistema nervoso central com outros sedativos, opioides e anestésicos. Essa propriedade é útil em pré-medicação, mas exige ajuste do protocolo e monitorização. O efeito de anti-hipertensivos pode ser potencializado, aumentando a probabilidade de hipotensão.

A fonte farmacológica consultada também descreve diminuição do efeito de antieméticos e interação relevante com epinefrina: na hipotensão induzida por acepromazina, a epinefrina pode piorar a queda pressórica, de modo que essa combinação deve ser evitada nesse contexto. Para a formulação oral, recomenda-se separar a administração de antiácidos e sucralfato por pelo menos 2 horas. Outra interação listada é com procaína, que não deve ser associada.

Observações clínicas

As doses publicadas para cães e gatos nas fontes consultadas foram de 0,01 a 0,1 mg/kg por via IV, IM ou SC; para cães, também há dose oral de 0,55 a 2,2 mg/kg. Na via IV, a administração deve ser lenta. Em ambiente de emergência e triagem, revisões recentes recomendam aguardar cerca de 20 a 30 minutos para o efeito pleno antes de concluir que a sedação foi insuficiente e redosar precipitadamente.

Em felinos, há suporte para uso perioperatório e de contenção química, mas os dados são mais limitados que em cães e a suscetibilidade à hipotensão durante anestesia merece cautela. Se o objetivo for controle de medo pré-consulta ou redução de agressividade, a evidência consultada não favorece acepromazina como escolha isolada.

No Brasil, trata-se de produto veterinário sujeito a controle especial. Para prescrição e aquisição, o médico-veterinário deve estar cadastrado no SIPEAGRO e emitir a notificação pertinente conforme as regras do MAPA.

Fontes

Página de referência pesquisada e escrita com inteligência artificial a partir de fontes públicas, e revisada automaticamente antes da publicação. Não substitui a bula do produto nem o julgamento clínico do médico-veterinário.

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